Análise – Futuridium EP Deluxe

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No catálogo de jogos indie das várias consolas, encontramos jogos que prestam homenagem a várias das gerações de consolas que compõem a (curta) história dos videojogos. Encontram-se, assim, jogos idênticos aos da SNES, NES e mesmo das máquinas arcade, para além dos que tentam ser o mais fieis possível aos padrões atuais.

Futuridium EP Deluxe é desses jogos que tenta conquistar os fãs mais antigos dos videojogos e que jogavam (e jogam, muitos deles) em máquinas arcade, apresentando um estilo que tenta simular ao máximo a cultura dos anos 80. Desde a banda sonora até ao próprio estilo de jogo, passando pelos visuais, todo o ambiente de Futuridium é baseado na visão do Futuro que se tinha no princípio da década de 80 e que tão bem foi retratada em Far Cry 3: Blood Dragon.

Embora a ambientação seja excelente e das melhores que se pode encontrar em jogos do género, tenho de referir um ponto que me surpreendeu (negativamente) logo nos primeiros minutos de jogo: a banda sonora. Claro que este se trata de um ponto bastante subjetivo, mas achei a banda sonora (embora bem ambientada, diga-se) muito aquém do que se poderia esperar num jogo destes, uma vez que existem várias peças dentro do estilo que se pretende criar e que poderiam resultar muito melhor. Aliás, o meu incómodo foi tanto que tive de tirar o som da música do jogo e ouvir outras peças através do computador, tal era a maneira como esta me incomodava.

Felizmente, a banda sonora foi o único ponto proibitivo que encontrei neste jogo, tendo, de resto, encontrado uma quantidade equilibrada de qualidades e falhas moderadas e que tornam Futuridium EP Deluxe numa experiência bastante divertida.

Preparem-se para ver muitos cubos a sofrer o mesmo destino.

Por esta altura, mesmo já conhecendo os seus ambiente e estilo, devem estar a questionar-se sobre de que realmente se trata Futuridium EP Deluxe. Neste jogo, controlamos uma nave parecida com a de Star Fox e vamos seguindo a alta velocidade e invertendo o sentido da nossa marcha de um lado para o outro e esquivando-nos dos vários obstáculos, até termos destruído todos os cubos azuis que estarão espalhados pelos diversos estágios.

Assim que todos os cubos são destruídos, o «core» – um cubo branco rodeado por uma aura negra – do nível em questão é revelado e, assim que o destruirmos, passamos para o nível seguinte. O grande desafio é conseguir completar o nível antes de a energia da nave se esgotar.

A energia vai-se esgotando à medida que a nave avança, como se de combustível num depósito se tratasse. Quando embatemos num obstáculo ou somos atingidos por um tiro do sistema de segurança do nível, a nave volta para um determinado ponto de partida, o que nos obriga a gastar mais energia até voltarmos ao local em que perdermos e destruir mais cubos azuis.

Os tais cubos, para além de serem o nosso alvo, dão pequenos boosts ao nível da nossa barra de energia, o que equivale a mais tempo para voarmos a alta velocidade de um lado para o outro.

Em cada nível, podem desbloquear até 3 títulos, que correspondem a feitos que fizeram durante o nível, como acabá-lo «à velocidade da luz». Estes títulos, bem como o tempo que demoraram, a energia restante e os cubos destruídos dão pontos.

Prontos para assapar num universo alternativo e alucinogénio?

Sendo Futuridium EP Deluxe um jogo inspirado nos arcade, tudo nele gira, como nesses jogos, em torno dos pontos obtidos, pelo que se querem obter um bom score terão de ser velozes e muito precisos. Aliás, todo este jogo é idêntico ao esquema dos jogos arcade, incluindo o facto de, se perderem, poderem gastar créditos para continuar ou, então, começar tudo de novo.

Isto leva a que, em semelhança ao que acontece nas máquinas de arcade, tenhamos de repetir várias vezes os mesmos níveis, o que acaba, não obstante a qualidade dos níveis e das mecânicas, por tornar a experiência algo aborrecida.

Mas regressando aos pontos… em Futuridium EP Deluxe, existem dois modos de jogo: o Clássico e o Deluxe. No modo Clássico, o jogador recebe mais pontos, embora a sua nave tenha menos energia. Já no modo Deluxe, o jogador recebe menos pontos, mas por outro lado, a sua nave tem mais energia. Desta maneira, Futuridium EP Deluxe permite duas maneiras de jogar bem distintas: uma mais ousada, mas mais recompensadora, ou outra mais calma e firme mas menos recompensadora.

Opinião final:

Futuridium EP Deluxe é um bom exemplo de como um género de jogos pode ser reavivado com sucesso, mesmo várias décadas após a sua origem. Embora tenha uma banda sonora de fugir e, devido ao tributo que presta aos jogos arcade, possa tornar-se aborrecido, este é dos melhores jogos que podem encontrar no género, oferecendo uma experiência única e divertida para ocasionais sessões de jogo.

Do que gostamos:

  • Ambiente do jogo consistente e bem apresentado;
  • Divertido e com mecânicas bem executadas;
  • Tributo aos jogos arcade;
  • Modos Clássico e Deluxe, que permitem maneiras de jogar distintas.

Do que não gostamos:

  • Banda sonora incomodativa, se bem que bem ambientada;
  • Facto de se ter de repetir várias vezes os mesmos níveis.

Nota: 8/10