Análise – Agents of Mayhem

Se há uma qualidade que define a geração de jogadores que cresceu durante os anos 80 ou no início da década de 90, é sem dúvida a memória de uma infância cheia de heróis de ação coloridos aos Sábados de manhã. GI Joe, Transformers, Saber Rider, X-men, entre outros, enchiam as nossas imaginações com as suas aventuras. Saltar fora da cama e tomar o nosso leite com cereais enquanto víamos o episódio daquele fim-de-semana – sempre com uma pequena lição de moral no final – era afinal um dos momentos que guardamos com carinho no nosso coração.

Esses momentos não voltam mais, mas agora podemos brincar um bocado com a nossa nostalgia através do novo Agents of Mayhem, uma sequela espiritual do Saints Row IV da Volition.

Agents of Mayhem inspira-se largamente nos desenhos animados da decada de 80 e 90.

Tal como em Saints Row, Agents of Mayhem é um jogo de sandbox no qual controlamos uma equipa internacional de super-heróis – os MAYHEM, cujo objetivo consiste em derrotar a LEGION, uma organização mundial dedicada ao mal. Simples não é? É exatamente nessa simplicidade que se concentram tanto o bom e o mau da narrativa. Por um lado, é simples o suficiente que permite “episodiar” muita da história, sendo apresentados novos agentes (num total de 12), as suas estórias de fundo e motivações à medida que vamos desbloqueando missões. Por outro lado, o arco principal da narrativa peca pela sua simplicidade: “vilão vem para a cidade principal, traz os seus tenentes, tem plano maléfico”. Esta simplicidade como dissemos, tem coisas boas e más, mas tendo em conta a excelente qualidade da apresentação (da qual falaremos mais tarde) temos pena que a história principal não seja mais complexa.

A nível de jogabilidade, estamos perante um modelo de jogo extremamente divertido – os sandboxes – no qual a quantidade de confusão que se pode fazer (e que é incentivada) é simplesmente estonteante. Controlamos uma equipa de três agentes, que podem ser pré-definidos conforme os nossos gostos, e depois somos largados na cidade de Seul (a nova capital da tecnologia) para cumprir missões e outros objetivos opcionais que nos vão aparecendo – admito que me tornei fã de conquistar as zonas controladas pelo inimigo. Isto porque o combate é muito viciante. Cada herói tem uma arma principal, habilidades especiais, efeitos para a arma principal e habilidades passivas que podem ser equipadas depois de as desbloquearmos, para além é claro de uma super habilidade Mayhem que nos ajudará a eliminar tudo o que é inimigo. Embora seja um bocado repetitivo, o que é certamente um problema, o gameplay é bastante divertido e alivia de certa forma esses momentos de repetição. Cada personagem tem os seus pontos fortes e fracos, sendo que alguns agentes serão melhores a fazer certo tipo de tarefas ou a combater certo tipo de inimigos do que outros. Não podemos esquecer que, como bom sandbox que é, Agents of Mayhem contém veículos que podemos conduzir, sendo os melhores os veículos exclusivos pertencentes aos agentes – que podemos chamar a qualquer altura para entrar neles em andamento, mas que não conseguimos compreender porque é que param quando entramos.

O jogo é uma experiência puramente single-player, o que de certo modo se torna intrigante: porque desperdiçar um elenco tão fantástico de personagens desde modo? Porque não a existência de um modo online onde cada personagem complementaria com os seus pontos fortes uma equipa de jogadores?

O jogo não é apenas bonito, pelo que toda a direcção artística é de louvar.

No departamento da apresentação, sim, porque seria reduzir bastante este jogo se apenas falássemos dos gráficos e som (especialmente quando temos uma excelente direção artística), o jogo surpreendeu-nos imenso com a sua inspiração bastante nostálgica nas séries de heróis dos anos 80 e 90. Cutscenes em desenho animado, em que cada personagem é um engraçado estereótipo do pais que representa – o que dá uma ideia de “nações unidas” aos agentes da Mayhem; pequenas lições “Mayhem Knows…” no final de cada missão; e, por fim, a estrela de todo o espetáculo – o diálogo entre as diferentes personagens. É na engraçada performance entre os agentes e a Friday (a agente de apoio na base) ou qualquer uma das outras personagens de apoio técnico, como o engraçado italiano que se ocupa dos carros da equipa, ou a americana um bocado totó que é a entendida em engenharia, que se cria muito do charme do jogo. Relembra-nos uma série do antigamente, faz-nos festinhas na nostalgia, e por causa disso, gostamos bastante.

A nossa Vídeo-Análise que inclui gameplay de Agents of Mayhem.

Nota: Quem fez pre-order do Agents of Mayhem tem a possibilidade de descarregar a personagem do Saints Row: GAT, que utilizamos nesta análise. Embora não confirmado pelo editor do jogo, existe a possibilidade da personagem sair posteriormente em DLC pago.

Opinião final:

Agents of Mayhem é um jogo surpreendente. Leva-nos numa viagem nostálgica até à altura em que as equipas internacionais de heróis dominavam a TV. A sua narrativa é demasiado simplista, é um bocado repetitivo e não tem oferta online multiplayer, mas uma jogabilidade divertida e uma apresentação excelente fazem com que seja um jogo que nos colocará um sorriso na cara sempre que o jogarmos.

Do que gostamos:

  • Inspiração nostálgica nas series dos anos 80 e 90;
  • Divertida jogabilidade;
  • Apresentação audiovisual excelente.

Do que não gostamos:

  • Narrativa demasiado simplista;
  • É um bocado repetitivo;
  • Infelizmente, não tem online multiplayer.

Nota: 7/10