Crisol: Theater of Idols – Análise

Deuses, água, sol, sangue, monstros. Que se passa com os Nuestros Hermanos? Disclaimer: a análise é feita com base numa playthrough na dificuldade normal do jogo, com completismo em mente, e tentará conter o mínimo de spoilers possível sobre a história.

Do estúdio espanhol Vermila, publicado pela Blumhouse, chega-nos uma experiência AA de Survival Horror em formato FPS. “Survival Horror” só por designação e mecânicas, pois não executa muito de um nem de outro, mas é aqui que Crisol nos transmite uma sensação de preocupação por parte dos developers. Um jogo de terror com demasiados “jumpscares” não costuma ter muito mais que se lhe diga, e um jogo de sobrevivência em que os recursos são demasiado escassos causa mais stress que outra coisa. Crisol tenta muito ser justo e compensador, mas acaba por nos deixar uma sensação de “rodas na bicicleta” durante todo o jogo.

A aventura começa com o Sol, o Deus adorado em Hispania, a enviar o seu melhor soldado, Gabriel Escudero, para a ilha de Tormentosa, onde o Deus do Mar Ulisses está a causar distúrbios. Estátuas de Santos vêm à vida e matam cidadãos e gado. Quando o nosso protagonista encontra pela primeira vez uma destas estátuas, é introduzida a mecânica principal do jogo: munição custa vida, literalmente. Gabriel recarrega as suas armas com o seu sangue, que foi abençoado pelo Sol, custando HP. Descobrimos logo que este recurso pode ser recuperado absorvendo o sangue de algum do gado morto, ou através de seringas encontradas durante a exploração.

O nosso arsenal conta com 5 variedades de armas de fogo, que se vão desbloqueando ao longo do jogo, e uma faca que se gasta com o uso – mas felizmente esta repara-se com um outro recurso que não a nossa vida.

No final do prólogo, são-nos introduzidos alguns personagens relevantes que habitam Tormentosa, um grupo de “rebeldes” que, ao contrário do resto de Tormentosa que adora o Mar, ainda adoram o Sol, e ajudam Gabriel na sua missão. Este grupo tem um esconderijo na praça de uma feira popular, que atua como um “hub” entre capítulos, e onde Gabriel pode melhorar as suas armas e habilidades com a ajuda de uma bruxa. Aqui podem-se ainda jogar alguns jogos de feira para desbloquear alguns itens e upgrades.

Os capítulos sumarizam-se na exploração de diferentes distritos de Tormentosa, outrora controlados pelos herdeiros das 4 famílias com sangue do Deus do Mar, agora perseguidos pelo nosso herói para ajudar a selar de novo esse terrível Deus. É muito notável a inspiração nos mais recentes lançamentos de Resident Evil, em diversos aspetos, desde um monstro “imortal” que nos persegue pelas ruas de Tormentosa, à exploração de zonas e resolução de puzzles para prosseguir com a história e encontrar segredos. Os inimigos não têm grande variedade, os mais comuns são as estátuas, que podem atacar tanto de perto como de longe, e até uma variedade voadora. Em certos pontos específicos do jogo encontram-se outras variedades de inimigos, mas são raros. Em termos de bosses a variedade também é desapontante.

A narrativa progride principalmente através da comunicação com um rádio com as várias personagens que nos vão sendo apresentadas, e através de visões nas várias zonas de Tormentosa sobre os acontecimentos que tiveram lugar. A história toma algumas reviravoltas que são apresentadas sob a forma de ilustrações de memórias de certas personagens sobre o passado de Tormentosa, e dos dois Deuses, que culmina numa revelação trágica.

Tendo em conta o preço recomendado do jogo de cerca de 20€, pode-se concluir que não teve um budget muito grande, algo que é muito óbvio desde o primeiro instante em que se começa a jogar. Animações faciais, diálogos, a própria experiência de shooting, apenas alguns dos aspetos não muito polidos, algo que não foge ao esperado de um título AA, mas transpira paixão de pessoas que realmente gostam de videojogos e amor pelo género survival horror.

Opinião Final:

Crisol: Theater of Idols é uma aventura cativante com algumas falhas, mas repleta de personalidade. Recomendado para fãs de Resident Evil, que procuram coçar o bichinho do Survival Horror com algo um pouco diferente, mas provavelmente vão querer jogar na dificuldade máxima. Para jogadores que não sejam fãs do género, mas que se deliciem com a atmosfera e a arte, podem também apreciar nas dificuldades mais baixas. De salientar também o baixo preço do jogo, que realça os seus pontos mais altos e afoga os mais baixos.

Do que gostamos:

  • História e twists interessantes;
  • Atmosfera e design de inimigos empolgantes;
  • Mecânica única de usar HP como munição que causa sentimento de urgência;
  • Baixo preço considerando a qualidade, comparativamente às tendências atuais.

Do que não gostamos:

  • Sentimento de urgência desaparece rápido devido à abundância imensa de recursos para recuperar HP;
  • Inimigos pouco perigosos pelo seu reduzido número na maior parte do jogo, ou de repente em extrema abundância em partes esporádicas;
  • Alguns plot holes muito óbvios;
  • Dificuldade extremamente fácil no modo Normal.

Outros pontos mais subjetivos a notar:

  • Diálogo muito “corny”, o que tem uma certa piada;
  • Escassez de jumpscares.

Nota: 8/10

Análise efetuada com um código Steam cedido gentilmente pela distribuidora.