Flint: Treasure of Oblivion – Análise

Pelas mãos da Savage Level e publicado pela Microids, Flint: Treasure of Oblivion promete trazer-nos uma campanha repleta de estratégia e diversão com o ficcional Capitão Flint (sim, o mesmo de A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson), Billy Bones e companhia. Mas será que cumpre esta promessa?

Infelizmente, a resposta é um rotundo não. Desde sistemas complexos que não são introduzidos de forma natural, nem bem explicados ao jogador, a controlos pouco naturais e fluidos, passando pela fraca narrativa, são muitos os problemas que assolam Flint: Treasure of Oblivion. E é realmente no esquecimento que esperamos deixar este jogo.

Faça-se justiça: este jogo tem alguns cenários bastante aprazíveis.

Comecemos pelo próprio sistema de combate. Flint: Treasure of Oblivion, como um comum jogo de estratégia, apresenta-nos uma grelha por onde as nossas personagens e os inimigos se poderão deslocar, com partes mais elevadas e mais baixas, assim como certas áreas que nos conferirão vantagens. Por exemplo, podemos saltar para cima de um inimigo a partir de uma posição mais elevada e desfazer-mo-nos dele num só golpe.

Em cada ação ofensiva que tomemos, no entanto, o jogo confronta-nos com o lançamento de dados de forma semelhante ao que encontramos em jogos de interpretação de papéis e de tabuleiro como Dungeons and Dragons. A questão é que em vez de números, são-nos apresentados símbolos em que não se percebe bem o que é necessário alcançar com cada lançamento para que sejamos bem-sucedidos. O jogo pede-nos várias vezes que leiamos os seus longos ecrãs de tutoriais — com letras minúsculas e uma sobrecarga de informação –, mas mesmo após ter lido tudo com atenção, não consegui memorizar os símbolos. Existe uma razão pela qual se usam números: são fáceis de compreender. Por vezes não vale a pena mudar aquilo que não está estragado, e este é um belo exemplo disso.

A quantidade informação visual em combate e nos tutoriais é simplesmente demasiado elevada.

A parte em que Flint: Treasure of Oblivion tem algum mérito é na forma como apresenta a sua narrativa, através de tiras reminiscentes de banda desenhada e que claramente nos tentam remeter para estórias de piratas como A Ilha do Tesouro. Infelizmente, não existem vozes a acompanhar a narrativa, nem qualquer efeito sonoro que torne satisfatório percorrer estas falas: ficamos no silêncio. Mas pior ainda é o facto de que num género em que a narrativa é tantas vezes decisiva, a narrativa de Flint: Treasure of Oblivion é superficial, pouco memorável e mal estruturada.

Algo que não irá ajudar é que os controlos de Flint: Treasure of Oblivion tornam a experiência dentro e fora de combate mais frustrante do que deveria ser. Dentro de combate, é por vezes difícil movimentar dentro da grelha e mudar entre as opções de combate e de movimento da personagem. Maus controlos em combate aliados a um sistema complexo e difícil de compreender tornam esta numa experiência em que é difícil nos divertirmos. Fora de combate, controlar o Capitão Flint é algo de muito básico, mas ainda assim com alguns problemas, uma vez que o jogo insiste em ter alguns momentos em que se torna num pseudo jogo de plataformas e não tem a estrutura para tal.

As tiras de banda desenhada que nos apresentam a narrativa são o ponto em que o jogo mais brilha.

Opinião Final:

Flint: Treasure of Oblivion leva-nos a calçar as botas do temido Capitão Flint, com a ajuda de Billy Bones e companhia, numa experiência para um só jogador de estratégia inspirada na era dourada dos piratas. Infelizmente, não faz jus nem ao género de estratégia, nem ao tema que pretende tratar nem à obra de Robert Louis Stevenson. Apesar de conter um ponto ou outro interessante, como as tiras de banda desenhada ou alguns cenários mais apelativos, esta é uma aventura que merece cair no nosso esquecimento.

Do que gostamos:

  • Apresentação visual da narrativa em forma de banda-desenhada;
  • Alguns cenários são visualmente apelativos.

Do que não gostamos:

  • Sistemas complexos e mal explicados ao jogador;
  • Controlos difíceis de manosear dentro e fora de combate;
  • Fraca narrativa;
  • Falhas a nível da direção sonora.

 

Nota: 3/10

Análise efetuada com um código PlayStation 5 cedido gentilmente pela Microids.