Mario Tennis Fever – Análise

O novo jogo Mario Tennis acabou de chegar e, como esta subsérie já nos vem habituando, traz consigo novas mecânicas que prometem tornar partidas de ténis em algo muito mais intenso e caótico, bem ao estilo do universo Super Mario Bros. Desta vez, com Mario Tennis Fever, a grande novidade são as Fever Rackets, as quais têm vários efeitos diferentes, desde espalhar gelo ou fogo pelo campo de ténis do adversário, a tornar-nos invisíveis ou proporcionar-nos com um jogador controlado pelo CPU, criando um desnível no número de jogadores de cada equipa. Há Fever Rackets para todos os gostos, e para as desbloquearem a todas terão de espreitar os vários modos de jogo que Mario Tennis Fever tem para vos oferecer.

Como é meu costume neste género de jogos, comecei por explorar Mario Tennis Fever pelo seu modo campanha, o Adventure Mode. Infelizmente, a minha experiência com este modo foi muito inferior à que tinha tido com o modo a solo de Mario Tennis Aces. Este consiste numa secção inicial numa academia de ténis em que devemos ficar familiarizados com o mundo do ténis e com as mecânicas de jogo, seguido por vários níveis até que cheguemos a uma árvore com um fruto dourado que de alguma forma permite que Mario e companhia deixem de ser bebés após terem sido amaldiçoados no início da trama. O enredo, como habitual nos jogos Mario, é basicamente não-existente, mas para além disso todas as falas se sentiam morosas, os desafios pareciam pouco credíveis e muitas vezes aborrecidos, e toda a longa secção inicial na academia foi extremamente entediante. Aconselho a que visitem este modo em visitas de médico e apenas para desbloquearem tudo o que este título tem a oferecer. De outro modo, fujam a sete pés!

Felizmente, Adventure Mode é de longe o modo de jogo mais fraco de Mario Tennis Fever e dei por mim a divertir-me muito mais assim que o acabei e comecei a explorar outros modos de jogo. O primeiro deles que testei foi o modo Trial Towers. Neste, é possível desafiar três torres com níveis de dificuldade ascendente e com andares com desafios cada vez mais difíceis de completar. Caso falhemos três vezes na nossa ascensão por cada uma destas torres, somos levados de volta até à base e devemos tentar de novo. Um modo bem típico e que já víramos, por exemplo, em Splatoon 3: Side Order. Assim que completamos cada uma destas torres, é-nos dada a opção de completar ainda mais desafios, alguns dos quais devemos completar para desbloquear tudo o que o jogo tem a oferecer. São bastante desafios e suficientemente diversificados, sendo igualmente um bom modo para revisitar em modo multijogador, embora não imagine que seja um modo de jogo com uma grande longevidade.

O segundo modo que testei foi o Tournament, cujo título é auto-explicativo. Neste modo podemos competir em torneios quer individualmente, quer com em equipas de dois, com e contra o CPU ou amigos. Há um total de três taças em que a extensão das partidas, assim como a dificuldade do CPU vai aumentando, em semelhança ao modo Trial Towers. Este modo imagino que tenha uma maior longevidade especialmente em modo multijogador local: poder criar torneios com amigos, juntar todos e criar algazarra em partidas intensas de ténis vai sempre continuar a ser divertido, e os sistemas base de Mario Tennis Fever garantem que esta pode ser uma experiência com que nos continuemos a divertir até ao fim da geração da Switch 2.

De facto, embora tenhamos tecido rasgados elogios às mecânicas inovadoras de Mario Tennis Aces no seu lançamento, temos de reconhecer que Mario Tennis Fever eleva a experiência virtual de ténis com Mario e amigos muito para lá do que temos visto até agora. O ritmo das partidas é muito mais rápido do que em Aces, e o taticismo e caos que prevalece com as fever rackets tornam cada partida bastante emocionante. Algo especialmente notável é que podemos devolver o efeito de uma Fever Racket ao nosso opositor caso a bola não atinja o chão do nosso lado do campo, o que cria jogadas em que de um lado e outro tentamos desesperadamente não deixar a bola cair ao chão, como se de uma batata quente se tratasse. Com um sistema tão polido, não ficaríamos nada surpreendidos caso este se tornasse num dos jogos ‘evergreen’ da Switch 2. Ao contrário de outros jogos de desporto de Super Mario, especialmente nas últimas duas gerações, Fever traz consigo ainda uma quantidade de conteúdo bastante respeitável logo no dia de lançamento, justificando o seu preço e sendo este um bom augúrio para o seu futuro enquanto jogo multijogador.

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A possibilidade de jogar localmente em GameShare torna possível a que mesmo quem tenha uma Switch se possa juntar à festa.

Mas regressemos aos vários modos de jogo. Os últimos modos que gostaria de destacar são: Free Play, Mix It Up e Online Play. O modo Free Play é o menos entusiasmante dos três e permite que simplesmente joguemos uma partida livremente com as nossas regras e que possamos até retirar os efeitos das Fever Rackets para uma experiência de ténis e Mario Tennis mais tradicional. O modo Mix It Up permite-nos jogar partidas de ténis com regras diferentes do habitual, várias delas inspiradas nos desafios que encontramos no modo Adventure e Trial Towers, mas incluindo surpresas bem divertidas como Pinball (numa clara alusão à pista Waluigi Pinball da série Mario Kart), ou com efeitos Wonder de Super Mario Wonder. É um modo que vale a pena revisitar de vez em quando para partidas divertidas, especialmente com amigos. Finalmente, temos o modo Online Play, que é claramente o modo que vem coroar toda a oferta. O modo Online Play divide-se em Ranked Match, em que podem competir com jogadores de todo o mundo para aumentar ou manter o vosso ranking, e o modo Online Rooms, em que podem juntar-se a salas com os vossos amigos e jogar partidas de ténis com eles. Toda a tensão de Mario Tennis Fever mais que triplica quando jogamos para salvar o nosso ranking com outros jogadores, e nada bate o misto de frustração e alívio que nos faz querer voltar para mais uma e outra partida.

Opinião Final:

Com exceção de um modo a solo inexplicavelmente mais fraco do que aquele que viramos em Aces, Mario Tennis Fever representa um firme passo na direção certa para os jogos de desporto do canalizador mais conhecido do mundo. As Fever Rackets criam partidas intensas e conseguimos ver bem a diferença que elas trazem quando as desativamos nos modos que as permitem, como Free Play ou Online Play. Há muito tempo que um jogo de desporto de Super Mario não recebia uma gimmick tão atrativa. Contando ainda com vários modos de jogo bastante chamativos e uma boa quantidade de conteúdo, incluindo variedade de raquetes, estágios e desafios, esta pode bem ser a experiência Mario Tennis definitiva.

Do que gostamos:

  • Fever Rackets criam partidas intensas e excitantes;
  • Vários modos de jogo divertidos;
  • Uma boa quantidade de conteúdo na forma de desafios, estágios, raquetes e personagens;
  • Jogar online pelo nosso ranking põe os nervos à flor da pele.

Do que não gostamos:

  • Adventure Mode é uma nódoa que estraga o que seria de resto uma pintura quase perfeita;
  • Infelizmente não podemos jogar com estranhos num modo mais casual.

Nota: 8,5/10

Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.