
Anunciado na segunda metade do ano passado, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection (doravante simplesmente Monster Hunter Stories 3) é o terceiro jogo desta série spin-off de Monster Hunter. Ao contrário dos RPG de ação da Capcom, aqui temos um jogo inspirado tanto por Pokémon, uma vez que os monstros tornam-se nossos ‘besties’ ou, melhor dizendo, ‘monsties’ e combatemos com eles, como por Fire Emblem ou o mais clássico pedra-papel-tesoura, uma vez que temos três tipos de ataque: technical, power e speed.
De facto, uma das críticas ao primeiro título desta subsérie na 3DS, que na altura ecoamos, era precisamente de que este era um sistema demasiado simples para um RPG por turnos: pedia-se algo mais. É claro que o jogo não consistia apenas em pedra-papel-tesoura, mas era como que um pedra-papel-tesoura em esteroides. Com o segundo jogo da franquia, a Capcom em resposta tornou este sistema muito mais robusto, e agora com o terceiro jogo, o taticismo aumentou ainda mais. Ainda assim, a base de três tipos de ataque continua lá, pelo que se essa base vos afastou de forma completa dos primeiros dois jogos, talvez todos os enfeites que entretanto foram adicionados não cheguem para vos convencer.
Voar num Rathalos continua a ser de cortar a respiração.
Após a última Nintendo Direct Partner Showcase, em que a Capcom lançou também uma demonstração para Pragmata – que já testámos (podem ler as nossas impressões aqui)-, Monster Hunter Stories 3 recebeu também a sua própria demonstração, que nos demorou cerca de 3 horas e meia a concluir. Embora não alcance o nível de longevidade de algumas das demonstrações mais generosas da Square Enix (alguém se lembra quando pudemos jogar Dragon Quest XI S por até 10 horas?), é ainda assim uma forma de tomar o gosto a este RPG por um período de tempo bastante alongado. E, claro está, o melhor de tudo: o vosso progresso passa diretamente para a versão final no próximo dia 13 de março.
Aquilo que me saltou logo à vista nos meus primeiros segundos com a versão Switch 2 e que me deixou boquiaberta foi a qualidade visual. As cinemáticas de Monster Hunter Stories 3 são um espetáculo de cores e estão soberbamente animadas, sendo que esta se irá com certeza tornar numa das experiências mais cinematográficas disponíveis na consola híbrida da Nintendo já no próximo mês, rivalizando com títulos como Final Fantasy VII Remake, este último apostando, é claro, num estilo muito mais realista. A qualidade visual mantém-se quando tomamos conta da ação, embora em cenários em que a nossa visão tem maior alcance consigamos perceber algumas superfícies menos detalhadas e menos nítidas, como se nos tivéssemos esquecido dos nossos óculos ou de calibrar bem o ecrã.
As cinemáticas são de um detalhe incrível.
O grande problema de Monster Hunter Stories 3 no que toca ao nível técnico, no entanto, é a sua performance. Tal como outros títulos da Capcom, este parece almejar os 60fps, deixando o rácio de fotogramas sem um nível limite mais baixo definido. As opções gráficas na versão Switch 2 são também não existentes, pelo que não há nada a fazer. Testei o jogo em modo portátil, e mesmo com a tecnologia VRR, as quedas de frames por segundo eram notórias e em certas áreas do jogo mesmo incomodativas e constantes. Dei por mim a jogar esta demonstração num vai e vém de “esta versão não é assim tão má, estava a exagerar” e “okay, afinal não estava a exagerar, isto está inaceitável”. Em modo TV, a experiência é ainda mais instável, como poderão imaginar, uma vez que a nova consola híbrida da Nintendo não suporta (pelo menos por enquanto) a tecnologia VRR nesse modo.
Felizmente, os problemas de performance parecem estar restritos a certas áreas do mundo aberto, não tendo notado (pelo menos em modo portátil) quaisquer problemas durante os combates. Focando-me nestes confrontos, alguns dos elementos são o que poderiam esperar de um jogo que combina RPGs por turno ao estilo de Pokémon e Persona, com pedra-papel-tesoura, mas há uma série de elementos que são únicos desta série. Um deles é que controlam de forma independente o vosso monstie e o vosso avatar. Outro é que podem coordenar os vossos ataques para criar sinergias e criar vantagens. Um elemento emprestado de Persona é que poderão derrubar o monstro adversário e ativar um ataque especial com os restantes membros da vossa equipa, ao estilo de um “All-Out Attack!”. Esperem…? Restantes membros da equipa? Sim, para além do vosso monstie e do vosso avatar, terão outros elementos na vossa party, no entanto pelo menos até ao momento da demo em que joguei, estes não eram controláveis pelo jogador, escolhendo de forma independente os seus movimentos.
Cortesia do Xbox Wire.
Monster Hunter Stories 3 vai-nos dando ainda várias informações extra e pequenos detalhes sobre como funciona o sistema de combate, e perderia aqui muitos parágrafos a tentar explicar como cada um dos subsistemas funciona. A melhor forma de saberem se este será um sistema de RPG para vós é realmente jogando uma das versões experimentais disponíveis, na Switch 2, PS5, PC ou Xbox Series. Pessoalmente, fiquei um pouco overwhelmed em relação à forma como estes sistemas foram introduzidos, sentindo que por estar um pouco perdida, era curiosamente o elo mais fraco da minha equipa nos confrontos. Ainda assim, era satisfatório ver quando algum combo resultava e podíamos fazer um synch attack (um all-out attack, sejamos francos). E as animações incríveis que eram acionadas nestes momentos bem que compensavam.
Outras mecânicas fora do combate também se mostraram interessantes e fizeram-me recordar um jogo de que gostei bastante na Switch original, Pokémon Legends: Arceus. Ao explorarmos o mundo aberto, podemos montar um dos nossos monsties e mudar livremente entre eles tal como em Legends: Arceus, usando as suas habilidades para subir rochedos, planar, etc. Espalhados pelo mapa vamos descobrindo NPCs que precisam da nossa ajuda, assim como ninhos que contêm ovos que podemos chocar até termos um novo bebé de uma dada espécie. Alguns ninhos têm ovos mais raros, mas habitualmente também estão mais bem guardados, por isso tentem alcançá-los e explorem-nos segundo o vosso próprio risco…
Finalmente, sobre o enredo, este deixou-me bastante intrigada e empolgada. Tal como o título revela, é pela estória que a série Monster Hunter Stories nos chama. Apesar de conter em termos de jogabilidade vários elementos adaptados que tornam a série Monster Hunter icónica, esta é uma experiência muito mais focada na vertente cinematográfica (apesar do seu estilo mais cartoonesco). Neste aspeto, Monster Hunter Stories 3 é, tanto quanto pude testemunhar, uma grande vitória. Todas as cinemáticas me deixavam imersa no reino de Azuria e me faziam esquecer o mundo à minha volta, e mal posso esperar para que o mesmo aconteça dia 13 de março.