
No passado dia 27 de fevereiro a The Pokémon Company celebrou 30 anos desde que Pokémon Red e Blue foram lançados no Japão, marcando o início de uma das maiores histórias de sucesso comerciais e culturais das últimas décadas e quiçá até mesmo de sempre. Anunciados poucos dias antes, mas já esperados devido às fontes de rumores habituais, Pokémon FireRed e LeafGreen chegaram nesse mesmo dia 27 de fevereiro como parte das celebrações destes 30 anos, que irão culminar com o lançamento dos novos Pokémon Winds e Pokémon Waves para a Switch 2 algures em 2027.
Apesar dos rumores, ver o lançamento destes remakes da primeira geração de RPGs Pokémon para o GameBoy Advance foi uma agradável surpresa. Na nossa perspetiva, esta continua a ser até hoje a melhor forma de experienciar a primeira geração, uma vez que os títulos originais para o GameBoy estão muito datados a nível visual e de mecânicas, e as mecânicas emprestadas por Pokémon Go a Let’s Go Pikachu/Eevee o tornam numa experiência menos atrativa que a fórmula há muito aperfeiçoada pela série principal.
A primeira geração tem alguns dos Pokémon mais icónicos até hoje.
Confesso que a 3ª geração de Pokémon, em que estes remakes se inserem, foi especialmente formativa para mim. Perdi conta às horas que passei a explorar Hoenn em Pokémon Ruby quando era mais nova. Assim, é-me difícil ser totalmente neutra no que toca a estes títulos. Apesar de a Game Freak não ter adicionado quaisquer funcionalidades para este relançamento, e apesar de o mesmo não incluir modos básicos como aqueles que encontramos em outros relançamentos do género (como aumentar a velocidade, aumentar, diminuir ou mesmo eliminar a frequência dos encontros aleatórios com inimigos, entre outras), não consigo deixar de ter um sorriso rasgado na cara ao rejogar LeafGreen (versão que jogámos para análise) e revisitar esta era de Pokémon. Faço exatamente parte do público alvo que a The Pokémon Company quer captar: aqueles que eram crianças ou jovens quando Pokémon ia na sua terceira geração. Se se encontram neste grupo, esta continua a ser uma ótima experiência e é muito bom recordar vários momentos e personagens icónicos como Brok, Misty e as enfermeiras Joy.
Principalmente popularizada devido à série de animação, Misty é antes de tudo uma líder de ginásio.
Para jogadores mais novos, que não viveram esta era de Pokémon, talvez FireRed e LeafGreen não sejam uma proposta tão atraente. Embora pessoalmente pense que os jogos não envelheceram mal de todo (pelo contrário), é inegável que estes são jogos que exigem mais grinding e que vêm com menos funcionalidades que facilitam a nossa vida de treinadores Pokémon. Para começar, o Exp. Share não é algo que se possa tomar por garantido, mas algo a ser obtido mais tarde. Pelo menos na minha experiência, na altura havia uma mentalidade um pouco tóxica de que o Exp. Share e os Rare Candies (que cumpriam uma função idêntica à dos Exp. Candies atualmente) eram apenas para jogadores mais casuais, e que para se jogar como deve ser, devia-se subir os níveis de cada Pokémon individualmente. Na verdade, tudo isso nada mais significava do que perder mais tempo. Ainda assim, os combates eram e continuam divertidos, assim como mais desafiantes do que a maior parte dos encontros nos jogos mais recentes (tirando algumas raids), pelo que continua a ser divertido simplesmente subir o nível de cada Pokémon por horas a fio.
Talvez a omissão mais imperdoável deste relançamento, no entanto, seja a de modos de jogo online. Embora seja possível combater e trocar Pokémon localmente com amigos e familiares, e esteja prometida para mais tarde integração de Pokémon LeafGreen e FireRed com a aplicação Pokémon Home, de momento não é possível trocar Pokémon obtidos nestes relançamentos seja de qual forma for com jogadores mais distantes. Sentimos que esta integração era algo que ajudaria substancialmente a tornar estes títulos mais apelativos no ano que corre.
A pixel art continua excelente.
Opinião Final:
Talvez a minha perceção esteja deturpada pela minha nostalgia e familiaridade com a primeira geração e com os títulos originais no GameBoy Advance, assim como com a 3ª geração de Pokémon em geral, mas a minha experiência ao reviver Pokémon LeafGreen foi extremamente positiva. Este é um jogo que, na minha perspetiva, envelheceu bastante bem e que continuará a divertir muito muitos fãs, especialmente aqueles cheios de nostalgia como eu. Tentando ter uma outra perspetiva sobre o assunto, não consigo deixar de observar, no entanto, que este poderá ser um relançamento em que faltam várias funcionalidades que fãs mais jovens tomam por garantidas, assim como outros lugares comuns de relançamentos de jogos clássicos. Teria sido bom ver da parte da Game Freak e da The Pokémon Company um maior investimento neste lançamento para a Switch. FireRed e LeafGreen são clássicos por um motivo, e teriam merecido maior atenção. Ainda assim, apesar de um preço um pouco salgado e da falta de funcionalidades, estes continuam a ser RPGs que merecem sem dúvida a vossa atenção.
Do que gostamos:
- Entre os melhores RPG da série Pokémon;
- Na nossa perspetiva, mal se nota a passagem dos anos por estes jogos;
- Estilo artístico mantém um ótimo aspeto em alta definição na Switch e Switch 2;
- Perfeito para sanar a nostalgia.
Do que não gostamos:
- Ausência de modos de jogo online;
- Falta de integração com Pokémon Home no lançamento;
- Falta de funcionalidades QoL, comuns em outros títulos clássicos;
- Preço elevado para as escassas modificações face aos títulos originais;
- Pode não ser muito convidativo para fãs mais jovens.
Nota: 7/10
Análise efetuada com um código do jogo Pokémon GreenLeaf Version para a Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.