
Pokémon Legends: Z-A é a segunda aventura da franquia Pokémon Legends, sucedendo a Legends: Arceus, sendo também uma sequela dos jogos Pokémon X/Y. Desenvolvido pela Game Freak para Nintendo Switch e Switch 2, o jogo passa-se inteiramente em Lumiose City, na região de Kalos. Na narrativa do jogo, o/a protagonista instala-se no enigmático Hotel Z e envolve-se num torneio noturno estilo “battle royale” de combates Pokémon aptamente apelidado de Z-A Royale, enquanto descobre que figuras clássicas da série (como o misterioso AZ) e Pokémon lendários estão ligados aos mistérios da cidade. O objectivo principal do jogo (e mesmo da narrativa) é evoluir do Rank Z a Rank A no Z-A Royale para poder realizar um desejo, numa mistura de elementos clássicos e mecânicas inovadoras que prometem “revolucionar” o RPG de Pokémon. Enquanto que em Arceus o objetivo foi preencher o primeiro Pokédex, em Z-A o objetivo é chegar ao topo.
Durante o dia, o jogador explora livremente Lumiose City e as “Wild Zones”, áreas verdes inseridas na cidade onde Pokémon selvagens vivem e que servem para capturar e treinar Pokémon. O mapa de Lumiose é bastante vasto, reunindo lojas, cafés, parques e outros pontos de interesse. É possível ainda subir aos telhados dos prédios e conhecer quase uma nova cidade nas alturas de Lumiose. Sendo um jogo Pokémon, há um Pokédex para preencher. Assim, cada Pokémon capturado enche o Pokédex, que continua como uma meta para os colecionadores. Além da exploração livre, há missões secundárias em forma de bonus cards: objetivos opcionais espalhados pela cidade cuja conclusão rende pontos extras.
A narrativa em Z-A é bastante simples: chegar ao topo.
Já ao anoitecer surgem as zonas de batalha do Z-A Royale, onde treinadores circulam pelas ruas e podem atacar o jogador livremente, mas também podem ser surpreendidos por ataques preventivos. Participar no Z-A Royale é crucial para subir de nível (começando em Z e avançando até A) – cada vitória em batalhas ranked aumenta o progresso rumo ao objetivo final. O jogo oferece ainda modos multijogador via Battle Club: combates cooperativos ou competitivos até 4 jogadores, incluindo torneios ranked que concedem Mega Stones especiais.
Desta vez, os Pokémon iniciais são Chikorita, Tepig ou Totodile, que determina parte da experiência de progressão, mas nada muito definitivo. Em suma, Z-A combina a captura e exploração típicas dos RPGs de Pokémon com novidades como as batalhas noturnas classificadas e as zonas selvagens urbanas, criando um ciclo diurno/ noturno de atividades consistentes.
O grande atrativo de Z-A, indo mais longe do antecessor Legends: Arceus, é o sistema de combate em tempo real – isto quer dizer que o treinador e os Pokémon movem-se livremente no campo, sem turnos fixos. Cada ação é desencadeada por comandos diretos; por exemplo, ao mandar um Surf, o seu Pokémon varre o cenário instantaneamente. Esse modelo de batalhas imprime energia e urgência de forma mais realista aos combates entre Pokémon. A estrutura lembra um híbrido entre ação e RPG táctico: o jogador movimenta-se, troca de habilidades (com cooldown) e observa os Pokémon reagindo em tempo real. Quando tudo funciona como é suposto, há um verdadeiro impacto visual – ver um ataque conectar, ou coordenar uma combinação rapidamente para tentar antecipar-se ao adversário, oferece um senso de controle que a franquia nunca teve.
Prepara-te para combates rápidos e frenéticos!
Contudo, essa fluidez ainda não é perfeita. Os tempos de resposta das criaturas variam um pouco. Em certos momentos o Pokémon atrasa-se, ou não responde com a velocidade desejada para “alinhar” o ataque, e a troca de comandos sofre pequenos atrasos. Todavia, os jogadores experientes saberão ultrapassar estes constrangimentos, planeando antecipadamente os ataques e os tempos de ativação de cada ataque. Em combate contra bosses (“Rogue Mega” evoluídos) nota-se que os developers tentaram oferecer uma experiência mais intensa que em Arceus: as arenas fechadas trazem zonas de perigo e padrões de ataque variados com muitos ataques a manterem um foco contínuo no treinador, não apenas nos Pokémon.
As Mega Evoluções têm papel táctico, pois durante os combates, os jogadores acumulam energia de Mega que permite transformar temporariamente o Pokémon, adicionando ataques especiais (“Plus Moves”). Esta mecânica recompensa agressividade e o timing dos ataques, mas traz algum desequilibrio pois muitos combates parecem uma corrida para chegar à Mega Evolução de forma a virar o combate. Em resumo, o combate de Z-A renova a série ao quebrar os turnos estáticos, resultando em batalhas dinâmicas e viscerais. Assim, Z-A abandona o sistema de ataques rápidos/fortes de Arceus favorecendo o realismo imediato nos combates.
Lumiose City é apresentada como uma metrópole vibrante: claramente inspirada em Paris do nosso mundo, reúne centros comerciais, cafés, parques e áreas naturais à beira-rio, integrando harmoniosamente humanos e Pokémon. “Wild Zones” abrem espaços verdes no meio urbano, onde várias espécies podem ser capturadas ou observadas. Na prática, porém, essa aparente liberdade sofre limitações. Embora pareça bonita, o facto é que Lumiose não é mais do que uma serie de paredes “pintadas” por um wallpaper ao estilo parisiense que dá o aspecto de uma cidade cheia, mas na verdade, especialmente quando visto ao perto e em alta resolução, parece feita de cartão. As “Wild Zones” são variadas e bem desenhadas, mas o resto da cidade, com algumas exceções, parece simplesmente algo que foi criado para ser um pano de fundo e não uma verdadeira cidade onde o jogador possa viver.
Lumiose é bonita, mas um pouco feita de “cartão”, não tendo um aspeto muito realista.
Do ponto de vista técnico, Z-A revela ambição, sobretudo na edição pensada para a Switch 2, onde a fluidez geral é mais consistente e o jogo consegue manter um ritmo de animação mais estável. A sensação de movimento é mais natural, os combates beneficiam de uma maior suavidade e a navegação pela cidade torna-se menos fragmentada. Já na Switch original, as limitações tornam-se evidentes: há oscilações frequentes de desempenho, carregamentos tardios de elementos do cenário e uma presença constante de pop-in, com personagens e objetos a surgirem abruptamente no campo de visão. Em alguns momentos, a própria iluminação parece instável, e certas superfícies demoram a adquirir a definição final, o que quebra a ilusão de continuidade espacial.
A banda sonora de Z-A é um dos pontos altos: temas suaves e envolventes recriam a atmosfera urbana de Lumiose, variando de músicas de dia alegres até melodias nocturnas mais misteriosas. O ambiente sonoro também contribui para imersão – vê-se música ambiente de café e burburinho da multidão na rua. Contudo, Z-A mantém uma tradição da série: continua a não haver dobragem das personagens. Mais uma vez, enquanto que as várias franquias da Nintendo avançam no sentido de ter dobragem dos momentos narrativos (pense-se em Zelda, por exemplo), Pokémon continua a ter personagens que só se exprimem através de texto.

DLC Mega Dimension
No final do ano passado também tivemos o lançamento da expansão DLC Mega Dimensions em duas partes que adicionam mais conteúdo narrativo, missões, mega-evoluções e roupas para os protagonistas. Embora esta última parte seja apenas uma adição estética, cabe-nos indicar que a nova narrativa adicionada em dezembro adiciona uma história muito interessante com novas personagens e desafios para o protagonista, indo bastante além do que estamos habituados numa história Pokémon. Recomendamos esta expansão para quem quer mais desenvolvimento da história.
Opinião Final:
Pokémon Legends: Z-A é um jogo de contrastes. Por um lado, introduz ideias arrojadas ao RPG de Pokémon – combates em tempo real repletos de energia, Mega-Evoluções táticas e uma ambientação urbana detalhada – e conta com banda sonora de qualidade. Por outro lado, sofre de limitações estruturais herdadas: Lumiose City, embora bonita, é rígida e reduzida, com áreas inexploráveis que frustram a exploração completa. Tecnologicamente, podia ter ido muito mais longe. A narrativa, ainda que nostálgica, revela-se pouco profunda e marcada pela repetição de conteúdo. Em comparação com Pokémon Legends: Arceus, que havia apostado numa história inovadora sobre a origem dos Pokédex, Z-A fica mais no registo de entretenimento competitivo. No fim, Z-A diverte sobretudo nos combates e na identificação com Kalos, mas peca por não cumprir totalmente as promessas de um renascimento da série. Resta um jogo competente e original em vários aspectos, mas que falha em transformar todas as suas boas ideias em uma experiência coesa e memorável.
Do que gostamos:
- Z-A é mais um título experimental que nos mostra como Pokémon pode quebrar com a estrutura tradicional dos RPG;
- Combates em tempo real são muito bem-vindos.
Do que não gostamos:
- Graficamente não toma verdadeiramente partido das capacidades técnicas da Nintendo Switch 2, com Lumiose City a parecer uma cidade de cartão.
Nota: 8/10
Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.