
Anunciado no evento de revelação da PlayStation 5, em junho de 2020 (impressionante como já se passaram quase 6 anos!), a nova propriedade intelectual da Capcom, Pragmata, tem passado por uma montanha russa no seu percurso até ao lançamento no próximo dia 24 de abril. Anunciado inicialmente para 2022, o jogo fora adiado posteriormente para 2023 e mais tarde indefinidamente. No entanto, após um longo período sem quaisquer novidades, temos recebido diversos trailers desde o ano passado, em que recebemos finalmente confirmação de que sim, Pragmata não se transformou em vaporware.
O tom futurista que havíamos visto no trailer inicial de 2020 manteve-se, mas agora tínhamos recebido mais informações sobre como seria a jogabilidade deste novo título, assim como do ambiente em que a ação se passa. Em Pragmata controlamos tanto Hugh como uma android com aparência de menina chamada Diana. Trata-se de um jogo de tiros em terceira pessoa em que devemos restaurar a ordem numa estação lunar. No entanto, Pragmata traz consigo uma mecânica que o diferencia bastante: para sermos efetivos no combate temos de hackear os inimigos num pequeno minijogo com Diana, caso contrário os inimigos tornam-se em bullet sponges.
Confesso que ao ver os trailers e testemunhos de outras pessoas, dei por mim a questionar-me se Pragmata seria um jogo para mim. Não sou das pessoas com melhor coordenação motora, e embora adore jogos de puzzles e a ideia me parecesse interessante, tinha receio de que no pico da ação desviar de ataques, disparar e resolver pequenos puzzles seria demasiada coisa ao mesmo tempo. Anunciada durante os The Game Awards e agora lançado para consolas no seguimento do Nintendo Direct Partners Showcase, a Capcom disponibilizou uma demonstração gratuita desta sua nova propriedade intelectual, o que foi uma ótima decisão: Pragmata é um daqueles casos em que temos de ver (ou jogar) para crer.
No papel parece que não deveria funcionar… mas tudo acaba por encaixar em Pragmata.
No próprio dia da apresentação Nintendo Direct Partners Showcase, descarreguei a demo Pragmata Sketchbook e testei o jogo na minha Nintendo Switch 2. Com o meu breve tempo com o jogo queria principalmente averiguar dois pontos: se um jogo que fora inicialmente pensado para a PlayStation 5 tinha um bom desempenho na plataforma da Nintendo; e comprovar por mim mesma se tudo “encaixava” na jogabilidade de Pragmata. A minha experiência foi no geral bastante positiva, e após ter jogado a demonstração, acredito que a versão Switch 2 de Pragmata será bastante competente, sem grandes compromissos face às restantes versões do jogo. Joguei a versão Sketchbook em modo portátil, e apesar de notar algumas flutuações pontuais em termos de rácio de fotogramas, o jogo mantém-se dentro da taxa necessária para o VRR a maior parte do tempo, fazendo com que a experiência seja suavizada. Gostaríamos de ter visto uma opção para bloquear a taxa nos 30 frames por segundo, mas talvez a Capcom consiga polir este ponto um pouco mais até ao lançamento em outubro, especialmente para aqueles que prefeririam jogar em modo TV.
Quanto às minhas dúvidas a respeito da fluidez da jogabilidade de Pragmata, posso dizer que estas foram completamente dissipadas. Não se desenganem, a ação torna-se realmente intensa quando têm de resolver puzzles ao mesmo tempo que jogar um jogo de tiros em terceira pessoa. Ainda assim, os puzzles não são demasiado complicados, e têm uma progressão natural e suave o bastante para que se tornem completamente naturais. Como uma fã de jogos de puzzles, aquele que era um medo meu passou a ser uma esperança que outros jogos de tiros se inspirem e apresentem as suas variações sobre esta inovação de Pragmata. O feedback loop de conseguirmos resolver o pequeno puzzle e a seguir nos sentirmos mais fortes é realmente bastante divertido e torna os confrontos bem mais emocionantes.
Ainda não nos decidimos se Diana é querida ou completamente perturbadora.
A nível de estória, esta demonstração não revela muito do que podemos esperar de Pragmata para além daquilo que já sabíamos. No entanto, pudemos testemunhar pequenas interações entre Diana e Hugh e perceber que vamos ter perante nós mais um título com a tradicional dinâmica de “big guy” e “small girl”, com o twist de que Diana é uma android que não compreende (pelo menos inicialmente) interações humanas, e por isso deve aprender tudo desde o zero. É uma premissa interessante com momentos tanto enternecedores, como um pouco inquietantes provocados pela natureza um pouco uncanny de Diana.
Assim sendo, as nossas primeiras impressões a respeito de Pragmata foram bastante positivas e esperamos que, com mais algum tempo de preparação, o jogo acabe por se revelar uma surpresa bastante agradável para todos, seja qual for a versão que escolham jogar.