
Estamos numa verdadeira onda de aniversários marcantes de séries clássicas que marcaram infância de muitos jogadores, com novos jogos e velhos títulos a regressar para celebrar o feito de estas ainda se manterem vivas 20, 30 ou 40 anos depois. Entre estas séries encontra-se Rayman, que no final do ano passado fez 30 anos desde o lançamento da sua primeira versão para a PlayStation. A Ubisoft não é estranha a estas celebrações, com Beyond Good & Evil a receber também uma versão remasterizada para o seu vigésimo aniversário. No entanto, dado o papel determinante do primeiro Rayman para lançar a Ubisoft numa longa série de sucessos internacionais, desta vez contamos com um lançamento com uma componente documental mais robusta. Grande parte do valor desta versão de Rayman reside exatamente nas entrevistas e documentos inéditos resultantes do processo de produção, típicos de outros lançamentos a cargo da Digital Eclipse.
Começando exatamente pela sua componente de registo histórico, esta é uma oferta bastante competente, em que poderão ficar a descobrir vários factos fascinantes não só sobre o desenvolvimento de Rayman e as peripécias que tal envolveu, mas também como as principais mentes por de trás desse jogo confluíram num jogo de plataformas, o porquê de Rayman ter esse nome, um livro inteiro consistindo numa “bíblia” de game design com a primeira proposta de Rayman para a na altura chamada Ubi Soft, e muito mais. Esta secção do título contém ainda algumas alusões a protótipos de uma versão 2D de Rayman 2, assim como ao jogo 3D que acabou por ser lançado mais tarde. Tal acaba por realçar aquele que, na nossa perspetiva, é o principal problema com este lançamento: não o que oferece propriamente dito, que é em geral competente, mas o que fica por oferecer. É difícil de compreender a razão pela qual, em contraste com outros projetos da Digital Eclipse, não tivemos aqui direito a mais títulos Rayman. Em vez disso, são-nos apresentadas diversas versões do Rayman original, assim como uma demo na SNES e uma versão completamente diferente para GameBoy Color. Gostaríamos de ter visto toda a trilogia Rayman original aqui incluída, com mais detalhes sobre como o desenvolvimento na série foi evoluindo.

No que toca à parte jogável, esta também é competente. A demo para a SNES é um protótipo muito básico, e já que este lançamento é especificamente focado num só jogo, teria sido especialmente interessante ver mais versões disponibilizadas, como as versões monocromáticas disponibilizadas para alguns PDA (os precursores dos smartphones).
Algo que tem sido especialmente controverso desde o lançamento é a reposição da banda sonora original por peças totalmente novas ou adaptações compostas pelo compositor responsável pelas bandas sonoras de Rayman Origins e Rayman Legends. Não sentimos que as novas peças em si manchem este lançamento, e por isso não alinhamos na narrativa de que estas são inadequadas (mas gosto musical é bastante subjetivo, apesar de tudo). Ainda assim, é difícil de compreender que não tenha sido oferecida opção de escolher entre a nova banda sonora e aquela pela qual tantos jogadores sentem nostalgia.

Tal como outras coleções deste género, Rayman: 30th Anniversary Edition oferece opções que visam adaptar a experiência original a sensibilidades mais modernas. Assim, contamos com a opção de voltar atrás no tempo durante alguns segundos, assim como com “batotas” que nos permitem por exemplo ficar invulneráveis. Embora compreenda a decisão, deixo o alerta especificamente para a versão PS5 de que os troféus são desativados caso usem qualquer um destes modificadores ou batotas (embora possam fazer rewind). Rayman, especialmente na sua versão original na PlayStation, era uma experiência por vezes imperdoável, pelo que se quiserem apenas experienciar as belas animações das personagens e os mundos que Rayman percorre, não se devem sentir mal por ativar uma batota ou duas.
Opinião Final:
Rayman: 30th Anniversary Edition sente-se ligeiramente como uma oportunidade perdida para trazer a trilogia Rayman de volta para plataformas modernas. Embora seja fascinante aprender diversos factos sobre tudo o que precedeu o lançamento deste título que levou a Ubisoft (na altura Ubi Soft) ao sucesso internacional, e embora este continue a ser um título com um ótimo estilo artístico e jogabilidade que passam o teste do tempo, tal não é suficiente para colmatar algumas das suas falhas. Dado o foco apenas no primeiro título desta série, são especialmente notáveis as omissões da banda sonora original, assim como de algumas versões e protótipos diretamente mencionados.
Do que gostamos:
- Componente histórica bastante robusta, contendo vários factos fascinantes sobre uma era totalmente diferente de desenvolvimento de videojogos;
- Apresentação de documentos, arte e de um protótipo jogável inéditos;
- Conteúdo adicional para DOS está aqui;
- Rayman continua um espetáculo vibrante de cores muito divertido, embora desafiante, mesmo 30 anos depois;
Do que não gostamos:
- História parece ficar a meio com a ausência da restante trilogia Rayman;
- Falta de algumas versões ou protótipos;
- Ausência da banda sonora original que é agora icónica.
Nota: 7,5/10
Análise efetuada com um código PlayStation 5 cedido gentilmente pela distribuidora.