
A nossa receção às edições Nintendo Switch 2 de jogos da Nintendo Switch tem sido algo mista. Se por um lado recebemos de braços abertos melhorias a nível de resolução e performance, assim como algum do conteúdo adicional, como em Kirby and the Forgotten Land + Star-Crossed World, outras edições têm-nos deixado mais de pé atrás. A isto ajuda o “preço variável” destas edições, talvez ao qual Doug Bowser tenha aludido quando fez uso dessa expressão, que até poderia ser uma excelente ideia, mas que tem sido aplicado de uma forma no mínimo confusa. Por exemplo, com a recente chegada do Handheld Mode Boost, pudemos constatar que a versão Switch de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition, no seu modo TV a correr em modo portátil na Switch 2, é, tirando o limite de 30fps, substancialmente melhor em termos de qualidade de imagem do que a versão Switch 2, lançada meras semanas antes da introdução deste modo. Tal poderia ser mais compreensível caso esta versão tivesse outros conteúdos extra ou fosse gratuita, mas o facto de serem cobrados cinco euros por uma atualização que acaba por apresentar resultados àquem de atualizações gratuitas para vários outros títulos deixou-nos na altura perplexos.
Felizmente, após uma experiência mista com a versão Switch 2 de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition, tivemos todo o prazer de explorar o parque Bellabel e revisitar Super Mario Bros. Wonder agora a 4k nativos (no modo TV) e inquebráveis 60 frames por segundo naquela que é, para nós, a melhor Nintendo Switch 2 Edition até à data.

Primeiro vamos aos detalhes menos interessantes: tal como em várias outras versões Nintendo Switch 2, também aqui encontramos melhorias ao nível da resolução no jogo base (surpreendentemente, tal não aconteceu em todos os lançamentos, sendo que o conteúdo base de Super Mario Jamboree, por exemplo, não sofreu alterações deste tipo). No que toca a Super Mario Bros. Wonder, este corre agora a uma resolução nativa de 4k no modo TV, com suporte para HDR, e a 60 frames por segundo. Em modo portátil, Super Mario Bros. Wonder corre à resolução máxima do ecrã – 1920×1080 píxeis – e igualmente a 60 frames por segundo. A cereja em cima do bolo teria sido a disponibilização de um modo perfomance a 120 frames por segundo. Num jogo de plataformas como este, os frames extra ajudariam a tornar esta que já é uma experiência fluida em algo ainda mais suave e agradável.
O grande destaque desta edição, no entanto, está no que vem a seguir ao ‘+’, isto é, o pacote de conteúdos Meetup in Bellabel Park (embora no material promocional da Nintendo Portugal este seja referido como “Vamos ao Parque Belabel“, iremos referir-nos ao mesmo na sua versão inglesa doravante). Em que consiste, então, esta nossa visita ao parque Bellabel? Em traços largos, este é um parque recreativo a que temos acesso devido a diabruras dos Koopalings, que vieram causar o caos juntamente com Castle Bowser. Neste parque recreativo encontramos várias atrações, divididas quanto à forma de como as podemos experienciar, seja no modo multijogadores local, seja online com amigos ou completando desafios a solo. O meu tempo foi principalmente dedicado a explorar os modos de jogo para multijogadores local, assim como os desafios a solo, e é nelas que me irei focar daqui para a frente. Ainda assim, no breve tempo que consegui testar o modo online, a experiência foi igualmente positiva. O único ponto negativo que tenho a notar é que não é possível jogar online com desconhecidos, sendo obrigatório criar uma sala de jogo com amigos para usufruir deste modo. É uma limitação que compreendemos até certo ponto, já que Super Mario Bros. Wonder é um jogo que atrai bastantes jogadores mais novos, incluindo crianças. No entanto, não conseguimos deixar de sentir que seria possível ter uma maior liberdade na escolha de parceiros para jogar, assegurando na mesma a proteção e privacidade de menores. Na nossa ótica, faria mais sentido que esta limitação fosse imposta ao nível do sistema para todos os títulos com o mecanismo de controlo parental, do que simplesmente remover por completo a opção, limitando todos os jogadores.

Pondo, no entanto, este modo de lado, vamos então às restantes atrações. Começando pelo claro destaque deste novo conteúdo, falemos inicialmente do modo multijogadores local. As atrações dividem-se entre cooperativas e competitivas. Pessoalmente, devido à minha personalidade, divirto-me sempre mais com as atrações cooperativas. Ainda assim, consegui divertir-me bastante com as atrações competitivas. Meetup in Bellabel Park consegue replicar com todo o sucesso o caos multijogadores de por exemplo New Super Mario Bros. Wii, sem no entanto elevar o caos para além do razoável. Tal como em jogos como Overcooked, nos modos cooperativos darão por vós facilmente a começar a falar mais alto com os vossos companheiros de aventura à medida que enfrentam desafios mais complexos e em que a tensão aumenta. Já os modos competitivos fazem-nos largar gargalhadas e sentir-nos poderosos quando conseguimos vencer os nossos oponentes. Uma mistura destas sensações existe nos modos competitivos em que podemos formar equipas.
Para vos dar uma melhor ideia daquilo que temos pela frente, pensem em Meetup in Bellabel Park como um party game com a estética, a jogabilidade e vários assets de Super Mario Bros. Wonder. No entanto, este não é um party game do género de Super Mario Party Jamboree. Não existem tabuleiros, nem os desafios nos transmitem a mesma sensação que os vários minijogos da série Mario Party proporcionam. Pelo contrário, o mais parecido em que consigo pensar é mesmo Nintendo Land, um dos jogos de lançamento da Wii U e que nos apresentava um parque temático com atrações alusivas às várias séries da Nintendo. Se gostaram dos modos de jogo multijogadores de Nintendo Land, tenho a forte convicção que também irão ter uma boa experiência com Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Meetup in Bellabel Park (que título longo!).
Apesar de gostar pontualmente de me divertir com amigos em modos multijogadores, confesso, no entanto, que quando jogo gosto especialmente de fazê-lo em modos a solo, o que continua a ser verdade com os títulos Super Mario Bros.. Felizmente, e um pouco para minha surpresa dada a relativa ausência deste modo nos materiais promocionais, encontrei também aqui uma quantidade de desafios e novos níveis que podem ser experienciados a solo bastante razoável.

O conteúdo a solo está principalmente dividido em duas partes, embora também possamos contar uma terceira como extra. As duas partes que destaco são os desafios de treino da brigada Toad, que devem ser completados a solo, e os níveis em que defrontamos os 7 Koopalings (um em cada nível), níveis que podem ser jogados também em modo cooperativo local. Tanto os desafios como os níveis em que terminamos por defrontar os Koopalings transpiram a sensação do fantástico e de maravilhamento que o título original já-nos havia trazido. Estes desafios incluem, por exemplo, completar um nível com uma medalha específica enquanto nos esquivamos de inimigos ou moedas, completar um nível antes que o tempo acabe, derrotar todos os inimigos dentro de um certo intervalo de tempo, etc. Já os níveis que incluem os Koopalings apresentam-nos novos efeitos Wonder que, tais como os que encontramos no jogo base, modificam completamente a experiência e trazem um sorriso à nossa cara. É difícil de explicar o quão mágico Super Mario Bros. Wonder consegue ser, assim como é difícil de descrever a qualidade soberba das animações que se transpõem agora para Meetup in Bellabel Park. O conteúdo a solo está ainda muito bem distribuído pela aventura principal. Para desbloquearmos mais desafios, devemos derrotar mais Koopalings, os quais vão aparecendo em níveis específicos à medida que vamos percorrendo os cinco mundos de Super Mario Bros. Wonder.
Ao explorarmos as várias atrações do parque Bellabel, assim como ao concluirmos desafios a solo, vamos recebendo gotas de água, que ficam convenientemente guardadas num regador. À medida que vamos completando mais atrações, podemos fazer uso dessa água para renovar o parque Bellabel, decorando com flores as várias partes do parque. É um extra simples, mas divertido e que contribui para o sentimento de estarmos realmente perante uma maravilha (Wonder), ecoando vagamente a sensação de decorar a nossa ilha ou vila em Animal Crossing.

Opinião Final:
Falando agora de uma forma mais geral, esta nova versão e expansão são experiências que vivamente recomendamos caso tenham uma Nintendo Switch 2. Caso o vosso interesse seja apenas no conteúdo a solo, os vinte euros extra pedidos por esta nova versão podem ser algo salgados… No entanto, se tiverem um interesse mesmo que mínimo em jogar com amigos localmente ou online, este torna-se um pacote muito mais apetitoso. Ainda assim, a oferta para um só jogador não é de desprezar e, juntamente com a transposição para 4k, pode bem valer a pena o preço de entrada para visitarem ou revisitarem Super Mario Bros. Wonder. A versão base para a Switch, lançada em 2023, foi talvez a aventura Super Mario a duas dimensões que mais nos entusiasmou desde o lançamento de Super Mario World, e esta é a sua versão definitiva.
Do que gostamos:
- Experiência base de Super Mario Bros. Wonder continua mágica quase 3 anos mais tarde;
- Novos efeitos Wonder melhoram a experiência;
- Aumento da resolução para 4k no modo TV permite que este mundo colorido fique ainda mais deslumbrante;
- Modos de jogo multijogadores divertem tanto como alguns dos melhores party games da Nintendo;
Do que não gostamos:
- Impossibilidade de jogar online com desconhecidos;
- Falta de um modo performance a 120 frames por segundo.
Nota: 9,5/10
Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.