
Lançado em janeiro deste ano fora do Japão, The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon é o mais recente título da mais recente sub-série de Trails, os JRPG de nicho da Falcom que nos acompanham numa narrativa extremamente complexa há mais de duas décadas. No total já contamos com 13 títulos, todos eles interligados. Embora haja alguns pontos mais naturais para começar a vossa exploração da série Trails, nomeadamente no início de cada sub-série, todas estas sub-séries estão elas próprias interligadas narrativamente, pelo que o melhor sítio para começar é mesmo pela primeira de todas com Trails in the Sky: 1st Chapter, um remake do qual foi lançado o ano passado. Este relançamento dá-nos uma pista de que a própria Falcom se aperceberá do quão inacessível esta franquia se tornou ao longo do tempo, uma vez que o plano parece ser o de continuar a lançar remakes, pelo menos da primeira sub-série. Outro indício de que o volume da narrativa está um pouco fora de controlo é que, por exemplo neste título, encontramos breves resumos dos jogos anteriores, assim como breves explicações de vários eventos-chave que tomaram lugar noutros títulos, por ordem cronológica. É suficiente para pôr novos jogadores a par de tudo? Obviamente que não, até porque é demasiada informação para a maior parte dos jogadores ser capaz de absorver tudo eficazmente. Para além disso, a narrativa deste título é em si extremamente densa, oferecendo várias perspetivas numa campanha que dura por volta de 80 horas. Assim, este é um péssimo jogo por onde começar a explorar a série Trails. No entanto, se pertencerem ao pequeno nicho de fãs que a Falcom vem cultivando ao longo das últimas décadas e que tem seguido com entusiasmo esta complexa narrativa, este título seŕá perfeito para vós, pois apresenta alguns dos melhores momentos da sub-série iniciada por Trails through Daybreak.

Falando agora de outros pontos para além da narrativa, Trails beyond the Horizon contém um sistema de combate que demora alguns minutos até nos ambientarmos a ele, mas que paga bem os seus dividendos, sendo dos sistemas mais competentes, intuitivos e divertidos que tive o prazer de experienciar num JRPG nos últimos anos. Trata-se de um misto de combate de ação em tempo real com combate por turnos com movimento livre num ambiente tridimensional. Inicialmente podemos investir contra os nossos oponentes com ações típicas de um RPG de ação, mas se o confronto se mostrar demasiado desafiante, podemos adotar uma estratégia mais calma, optando por turnos. A melhor caracterização que vos consigo oferecer é que este é um pouco uma mistura do que jogos como Metaphor: Refantazio, Final Fantasy VII: Remake e Mario & Rabbids: Sparks of Hope nos ofereceram. E a verdade é que resulta!
Se por um lado a sua ousada narrativa e os seus sistemas de combate e RPG nos surpreendem, é também claro que o orçamento não é o mais alto para estes títulos, não estiveramos a falar de jogos de nicho. Como outros jogos com âmbito semelhante, este é um título em que as animações são mais forçadas e a apresentação audiovisual não está à mesma altura que tudo o resto. Tal contrasta especialmente com o recente remake de Trails in the Sky: 1st Chapter, em que o estilo artístico ajuda muito.
Opinião Final:
The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon é um título com recomendações díspares dependendo do perfil do leitor. Caso queiram começar a explorar esta série, recomendamos que invistam antes em Trails in the Sky: 1st Chapter, um remake com um orçamento e um estilo artístico bem mais robustos. No entanto, se forem fãs de longa data, habituados aos atalhos pelos quais a série segue, encontrarão aqui sem dúvida mais um título que com certeza vos agradará bastante.
Do que gostamos:
- Sistema de combate que combina ação e combate por turnos de forma exímia;
- Enredo complexo, envolvente e de alto gabarito;
- Personagens bem caracterizadas;
- A forma como nos são apresentadas várias perspetivas;
- A ousadia da Falcom de nos apresentar um universo tão vexado é de louvar…
Do que não gostamos:
- No entanto preparem-se para ficar facilmente perdidos se não virem um recap da estória ou se este for um dos vossos primeiros jogos Trails;
- Apresentação audiovisual continua a ser atroz, especialmente na Switch.
Nota: 8/10
Análise efetuada com um código Nintendo Switch cedido gentilmente pela distribuidora.