Análise – Syndrome (PlayStation 4)

As produtoras portuguesas Camel 101, e a Bigmoon Entertainment apresentam-nos de novo o seu jogo de Survival Horror, que é finalmente lançado este ano para as consolas.

Syndrome foi anunciado em 2014 como o novo jogo da produtora portuguesa. Passado um ano, ficou disponível para PC através do Steam e agora, em 2017, é finalmente lançado para as consolas (Xbox One e PlayStation 4). Vamos então falar da versão PlayStation 4, aquela através da qual tivemos a oportunidade de analisar este jogo.

Syndrome coloca-nos sozinhos numa nave espacial onde o principal objetivo é sobreviver. Mas será que teremos ajuda de alguém? Os jogos de Survival Horror têm em comum o mote de que os jogadores têm de se superar para conseguir levar a cabo os seus objetivos. Assim, a resposta é negativa e estamos por nossa conta na descoberta da nave espacial Valkenburg, e, mais especificamente, à procura de resposta para o que realmente terá acontecido a esta nave.

Galen é uma das pessoas responsáveis pela nave e acaba de acordar numa câmara criogénica em que tudo em seu redor lhe parece muito estranho, percebendo rapidamente que algo de estranho se passou. A nave Valkenburg está deserta e Galen está sozinho neste ambiente muito assustador. É aqui que Galen terá de descobrir como tudo se passou e procurar em cada divisão e corredores pistas para desvendar que realmente terá acontecido. Vestindo a pele de Galen, aconselhamos que levem esta exploração com calma, e que tenham muita atenção a tudo o que se encontra em vosso redor.

Irão passar por momentos bastante escuros.

Ideal para jogarem à noite ou com as persianas bem fechadas e às escuras, Syndrome promete levar o jogador a momentos bastante assustadores, não só pelo facto de não saber o que pode encontrar a qualquer momento, mas também o que cada sítio da nave lhe reserva.

Tudo isto é o essencial que se espera encontrar num jogo de Survival Horror, em que temos sempre o receio do que poderemos encontrar a qualquer momento. Os barulhos, e o ruído de não sabermos se realmente está alguém dentro da nave é sem dúvida uma situação muito assustadora e que coloca os jogadores numa situação de aflição. Quando não sabemos o que poderemos encontrar ao fundo do corredor, ou até mesmo quando vamos a dar um passo em falso na nossa caminhada, a sensação de ansiedade e desconforto estão presentes de forma constante. A situação é desafiante para quem gosta deste estilo de jogos.

Os sons que a produtora colocou em Sydrome durante o decorrer do jogo, são fantásticos e fundamentais para um jogo de terror. Mesmo os momentos de pouca ação são muitas das vezes sinal de que terão de ter muita atenção, mesmo a nível dos inimigos que são controlados através da Inteligência Artificial. Eles conseguem ouvir os nossos passos e até o simples tossir de Galen ou o barulho das portas a abrir.

A sensação é fantástica em Syndrome, e qualquer jogador tem a noção de que todos os movimentos podem ser sinónimo de medo ou terror. Os efeitos sonoros incidem na perfeição cada momento da aventura e por vezes dá a sensação ao jogador de querer voltar para trás, embora esse possa não ser o caminho a seguir. Terão de ter bem em atenção a vossa escolha, pois a qualquer momento poderão ser atacados por algo vindo de sítios muito estranhos e escuros. Todo o cuidado é pouco, por isso convém andarem com muita atenção para não serem surpreendidos.

Estejam muito atentos, um passo em falso pode ser fatal.

A qualquer momento podem ser atacados, por isso convém gerirem da melhor maneira as vossas armas e munições, devido à pouca quantidade que têm disponível e que vos vai ser útil para usarem durante o decorrer da aventura. Em muitos momentos vão ficar com “o coração nas mãos”, gerando-se uma enorme vontade de fugirem o mais rapidamente possível daquela situação constrangedora em que se viram metidos. Tudo isto enriquece a aventura, ao mesmo tempo que aumenta os batimentos do vosso coração a palpitar durante o jogo.

Em relação à componente gráfica, podemos dizer que para um jogo para as consolas de nova geração existem certas texturas que não ficaram tão bem realçadas, o que peca um pouco para um jogo que é lançado este ano. Existem certos pormenores que não foram muito bem trabalhados, como o relevo dos objetos ou até mesmo do cenário. Em diversas situações é possível ver que temos um cenário bastante detalhado, mas por outro lado algo que seria de esperar que estivesse mais ao pormenor e com mais realce e qualidade pode não estar. Embora seja um ponto negativo, este facto é algo que não afeta a jogabilidade, apenas a componente gráfica. Temos no entanto de referir a qualidade do uso das luzes e das sombras, que realçam os cenários deste jogo visto que todo o jogo se passa dentro de uma nave.

Falando do jogo em si, existe também algo que poderia ser melhorado em Sydrome: o facto dos carregamentos de uma área para outra serem demasiados longos. Este é um pormenor que quebra a fluidez com que o jogador vai progredindo, existindo mesmo certas zonas em que basta entrar num sítio novo da nave para termos obrigatoriamente de esperar pelo carregamento do cenário do jogo.

O gameplay do jogo poderia também ser algo mais fluido pois nem sempre Sydrome acompanha o ritmo do jogador, seja a nível de exploração/entrada em novas áreas para ir buscar algo que nos é pedido. Tecnicamente, o jogo por vezes acaba por não corresponder com as expectativas, sendo que nos vamos deparando com alguns pequenos bugs ao longo da aventura, algo que deverá ser corrigido muito em breve com uma atualização.

Explorem bem todos os cantos do cenário.

Convém ainda realçar que esta nova versão para as consolas é compatível coma realidade virtual, isto é com o PlayStation VR, Steam VR ou Oculus Rift. A componente testada na realidade virtual foi através do PlayStation VR, em que podemos relatar que esta opção está disponível apenas no modo Survival, isto é, não teremos no modo história a opção de jogar em realidade virtual. Neste tal modo de Survival, estamos perante “ondas” de inimigos que vão aumentando a cada nível que vamos superando, terminando quando não conseguimos sobreviver aos inimigos. Um modo de combate que põe à prova o jogador e a sua estratégia de sobrevivência.

De um modo geral, neste jogo são vários os momentos de escuridão em redor da aventura que irão ter de percorrer pelas diversas zonas da nave Valkenburg, não só para irem buscar o que vos é pedido, como já referimos anteriormente, como também para explorar diversas zonas que, à partida não irão ter o que procuravam. Mas, após uma boa pesquisa em sítios bastante escuros, acaba por vos recompensar. No entanto, mais uma vez, lembrem-se: é fundamental estarem atentos a tudo o que se passa em vossa volta, pois caso contrário serão surpreendidos.

Opinião final:

Syndrome é um jogo de um estúdio Português que chega agora às consolas de nova geração e que enriquece ainda mais o catálogo dos jogos de Survival Horror das mesmas. Os efeitos sonoros encaixam na perfeição para o ambiente adorado pelos amantes deste género de jogos e, claro, ideal para quem ter a primeira experiência em jogos deste estilo. Apesar de termos um tempo de carregamento bastante longo entre divisões da nave, tal é algo que esperamos que seja melhorando com uma nova atualização ou, quem sabe no futuro, por uma possível sequela deste Survival Horror. Um jogo que aconselhamos para quem quer experimentar o género como também para fãs deste estilo.

Do que gostamos:

  • Ambiente fantástico para o género de jogo;
  • Efeitos sonoros.

Do que não gostamos:

  • Tempo de carregamento;
  • Alguns bugs;
  • Existem certas áreas em que a qualidade não foi bem trabalhada.

Nota: 8/10


  • Rui Gonçalves

    Boa análise, gosto do género , e de um estúdio português, parece ter muita qualidade