
Há séries que atravessam gerações sem perder a capacidade de nos fazer sentir de novo miúdos com uma bola nos pés. Uma grande geração de crianças-hoje-graúdos cresceu com a saga interminável de Oliver e Benji (a versão traduzida para português cujo título vem de Holly e Benji na versão italiana). Pois bem, depois de seis anos de espera, Tsubasa e companhia voltam aos relvados, e com mais ambição.
Captain Tsubasa 2: World Fighters é o novo capítulo da série, desenvolvido pela Tamsoft e publicado pela Bandai Namco, e sucede a Captain Tsubasa: Rise of New Champions. Chegou à PlayStation 5 a 28 de agosto de 2026, um dia depois da estreia no Japão.
O enredo parte do quarto arco do manga, o World Youth, que saiu entre 1994 e 1997, e tem o acompanhamento do próprio autor da obra, Yoichi Takahashi. Quem jogou o título anterior reconhece a ideia: no modo New Stars Route, criamos um avatar nosso, que veste a camisola do Japão e acompanha Tsubasa na caminhada até ao título mundial. O problema é que o jogo é bastante lento para quem conta com mais ação futebolista, ficando-se mais pelo visual drama de videojogos como Steins;Gate, Danganronpa ou Phoenix Wright: Ace Attorney, mas desta vez com (algum, não muito) futebol à mistura! As cenas de narrativa podem ser ultrapassadas (ou desligadas), mas aí ficamos apenas com um fraco jogo de futebol!
[Legenda: O caminho para o topo do mundo começa aqui!]
Em campo, a Tamsoft mexeu bastante na jogabilidade. Os comandos ficaram menos complicados, o que torna o jogo mais fácil de agarrar e afasta-o do futebol realista, rumo a um estilo arcade assumido. As técnicas especiais já não se limitam ao remate e aparecem em quase todas as ações, e o confronto entre rematador e guarda-redes passou a ter mais tática. Os “Max Actions” são golpes poderosos, tanto a atacar como a defender, mas a preparação é demorada e um adversário atento pode aproveitar esse momento para contra-atacar. Para quem cresceu com PES ou FIFA, hoje em dia eFootball e EA Sports FC, porém, é contraintuitivo, porque as partes de futebol parecem mais um RPG de ação do que um jogo de futebol.
[Legenda: Quando o remate é um espetáculo de luz e fúria!]
O elenco também engordou: há 22 seleções para escolher, mais de 110 personagens jogáveis e mais de 150 sequências animadas para mostrar as jogadas especiais. Na parte sonora, Tadayoshi Makino, que já tinha assinado a música do jogo anterior, volta a compor a banda sonora, com mais de cem faixas, o que acompanha muito bem a ação futebolista e os inumeros momentos de narrativa entre a mesma.
Quanto ao multiplayer, é aqui que o jogo promete animar. Podemos jogar offline até dois jogadores, no mesmo sofá, ou desafiar um amigo online, num frente a frente a dois. Com técnicas especiais a surgirem a qualquer momento, qualquer lance pode virar espetáculo, e o duelo entre rematador e guarda-redes ganha outro sabor quando do outro lado está uma pessoa e não a inteligência artificial. Para quem gosta de uma boa rivalidade, é aqui que o jogo tem mais hipóteses de brilhar.
Opinião Final:
Captain Tsubasa 2: World Fighters tem um alinhamento enorme, mas o jogo é muito parado e tem demasiado “drama visual”. Para quem cresceu com PES ou FIFA, as partes de futebol parecem mais um RPG de ação do que futebol e, francamente, para os fãs do desporto rei, o excesso de narrativa – continua a ser um jogo de animé – acaba por ser frustante e um pouco aborrecido. Este é apenas para os fãs da série!
Do que gostamos:
- Alinhamento enorme, com 22 seleções e mais de 110 personagens;
- Continuação da história do jogo anterior!
- Comandos mais acessíveis e técnicas especiais por todo o campo;
- Música de Tadayoshi Makino!
Do que não gostamos:
- Ritmo lento, com narrativa a mais a interromper a ação;
- Futebol aproxima-se mais de um RPG de ação do que de um jogo de futebol, o que desorienta quem está habituado a eFootball ou EA Sports FC;
- Pensado sobretudo para os fãs da série, pode ser frustrante e um pouco aborrecido para quem procura um jogo de futebol.
Nota: 7/10
Análise efetuada com um código PlayStation 5 cedido gentilmente pela distribuidora.