Crash Bandicoot 4: It´s About Time – Análise

A atual geração de consolas foi marcada, e muito, pelo aparecimento de títulos clássicos que inovaram e causaram furor na sua época original de lançamento. Muitos destes títulos chegaram através de portes diretos com versões HD, outros com um trabalho ligeiramente mais minucioso em forma de remasters, e, por fim, sob a forma que envolve um maior nível de complexidade, os remakes. Além de vários títulos como Shadow of the Colossus MediEvil, a trilogia original de Crash Crash Team Racing também chegaram à atual geração de consolas, com todo um trabalho artístico renovado, mantendo na totalidade a essência do jogo, mas acrescentando-lhe o brilho da modernidade e tirando o melhor proveito do que a tecnologia nos pode oferecer.

Após um trabalho de reedição excelente por parte da Toys for Bob com o lançamento de Spyro Reignited Trilogy, a empresa decidiu embarcar numa sequela direta de um dos maiores nomes dos jogos de plataformas, e o resulto foi, no mínimo, excelente. Mantendo todo o ADN da série, a empresa conseguiu, de forma consistente, dar vida a todas as personagens já existentes, acrescentando ainda uma mão cheia de novas aparições. Tal resulta num enredo sólido e fluido, com bastantes momentos cómicos dignos do nosso marsupial favorito, e, claro, do nosso querido vilão também. Estas história e personagens vêm acompanhadas por vozes e animações de luxo que conseguiram superar de forma vincada todo o trabalho feito nos remakes.

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Em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, N. Cortex e o temível N. Tropy juntaram-se para trabalhar no fabrico de máscaras quânticas e místicas, bem ao estilo da série, levando a que Crash e Coco sejam sugados para uma nova dimensão (em consequência desta incrível parceria). Durante toda a viagem vamos encontrar personagens bem conhecidas como Tawna e Dingodile, que se juntam a nós com o objetivo comum de salvar todas as dimensões deste incrível e peculiar universo de Crash. Todas estas personagens, incluindo Neo Cortex, são jogáveis, e juntos prometem fazer muitos estragos.

Embora a narrativa seja simples e direta, conseguiu trazer algo de extrema qualidade, desde um voice acting espetacular a um ritmo bastante rápido que nos prende ao ecrã durante todo jogo, o mesmo que, embora não seja longo, apresenta bastantes incentivos para se voltar a jogar cada um dos níveis.

Para além de se mostrar impecável nos quesitos artísticos, em resultado do excelente trabalho da Toys for Bob, Crash Bandicoot 4: It´s About Time tem um gameplay fantástico, tornando-o num hino aos jogos de plataformas. Todos os níveis estão bem construídos, coloridos e com desafios variados, tornando a experiência do jogador imprevisível dada a flexibilidade em nos entregar desafios distintos, muitos deles com um grau de dificuldade extremamente elevado. Se quiserem completar todos os desafios de tempo e colecionar todas as gemas disponíveis, terão aqui vários desafios que irão testar os limites da vossa habilidade enquanto jogadores.

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Além de todas as mecânicas já conhecidas dos fãs da série, existe ainda um vasto leque de novas habilidades que aumentam, de forma significativa, a diversão que este jogo nos proporciona. Desde novos inimigos a novos tipos de plataformas, somos ainda convidados a usar o poder das cinco novas máscaras, que nos permitem fazer coisas de outro mundo. Com elas poderemos abrandar o tempo, criar objetos através de ilusões ou até mesmo virar um autêntico tufão. Em Crash Bandicoot 4: It’s About Time somos constantemente envoltos em momentos de ação tensa que nos fazem pensar duas vezes em se valerá a pena apanhar as caixas todas e concluir os níveis a 100%… e a resposta é “claro que sim!”.

Existe um total de 38 níveis de história, sendo que a estes ainda são agregados mais dois tipos de desafio: os níveis de flashback tapes e ainda os de timeline, que acrescentam conteúdo a determinados níveis. Em todos estes desafios é possível ganhar 6 gemas e, para isso, é necessário que se complete cada nível de forma perfeita, sendo que apenas se pode morrer três vezes durante cada desafio. Mas estes podem ficar ainda mais enlouquecedores, diminuindo-se para um o número de vezes que se pode morrer (excluindo voltar a apanhar a gema escondida). Só assim será possível concluir a Perfect Run de cada um dos níveis e tornarmo-nos no verdadeiro rei dos marsupiais. Para quem gosta de desafios extremamente complexos e que exigem o máximo do jogador, este jogo oferece uma lista de troféus/conquistas que prometem levar ao desespero constante.

Além de todos estes extras, é possível ainda jogar todos os níveis no modo invertido – algo de realmente criativo e engraçado no jogo, e que é despoletado por um evento na história, estando por isso a sua existência totalmente sustentada. Neste modo de níveis invertidos cada mundo apresenta uma arte diferenciada, aumentando a excelência do trabalho já apresentado. Em termos de objetivos, estes são iguais aos da versão normal do nível, porém a gema oculta muda de lugar fazendo com que se tenha de ter uma atenção redobrada no seu processo de conclusão.

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Visualmente, Crash Bandicoot 4: It´s About Time é um exemplo do que deve ser uma integração perfeita entre gráficos e diversão na jogabilidade, elevando-o a um estatuto a que poucos jogos do género conseguiram chegar até hoje, incluindo Super Mario. Se o título fosse inicialmente anunciado para as plataformas de nova geração, era muito natural que os jogadores dissessem que este seria uma dos grande lançamentos das vindouras consolas. É de um detalhe e de uma beleza gráfica que facilmente me tira as palavras da boca, estando para mim no topo de jogos de plataformas da geração, partilhando o lugar com Cuphead e Ori.

Opinião Final:

Crash Bandicoot 4: It´s About é um jogo de plataformas perfeito que resulta num conhecimento igualmente perfeito daquilo que é Crash. Prima ainda pela originalidade da Toys for Bob em continuar uma série que já há muito merecia voltar ao mundo dos videojogos. Desde uma ótima história a um gameplay de excelência, este título é para já um dos melhores do género e com uma forte possibilidade de se tornar ainda melhor ao longo dos próximos tempos. É um jogo indicado para miúdos e graúdos e que vai de encontro ao que cada jogador procura com a experiência, tornando-o essencial para qualquer fã deste género de videojogos.

Do que gostamos:

  • Funcional como sequela;
  • Visuais estonteantes;
  • Gameplay perfeito;
  • Vários modos de jogo;
  • Novas habilidades;
  • Enredo consistente.

Do que não gostamos:

  • Por vezes é demasiado desafiante.

 

Nota: 10/10