
Quando o local onde se iria passar o novo Forza Horizon 6 foi anunciado, um conjunto não pequeno de fãs deu graças pela excelente decisão da Playground Games, afinal se há sítios que valem a pena serem explorados, e um Forza Horizon não é apenas um jogo de corridas, mas também um jogo de exploração em open world, o Japão é um deles.
Desde o lançamento do primeiro Forza Horizon, em 2012, a Playground Games conseguiu transformar um simples derivado da série Forza Motorsport numa das mais importantes referências do género de condução em mundo aberto. Ao longo de mais de uma década, a fórmula foi sendo refinada através de diferentes cenários – Colorado, França/Itália, Austrália, Reino Unido e México –, mantendo sempre um equilíbrio quase perfeito entre acessibilidade e profundidade.
Durante anos existiu um desejo praticamente unânime entre os fãs – levar o Festival Horizon ao Japão – ao centro da cultura automobilista do drift e do tuning. A cultura automóvel japonesa, os lendários percursos de montanha, as enormes áreas metropolitanas iluminadas pelas luzes de neon e as intermináveis estradas costeiras pareciam o palco ideal para uma série que sempre viveu da celebração do automóvel.
Depois de muitos rumores e pedidos da comunidade, esse desejo tornou-se finalmente realidade. Forza Horizon 6 leva-nos até uma representação fictícia do Japão, reunindo regiões inspiradas em Tóquio, zonas costeiras, pequenas vilas tradicionais, florestas densas, campos agrícolas, estradas alpinas e os famosos percursos de montanha que marcaram gerações de entusiastas do drifting. O resultado é, sem dúvida, o mapa mais variado alguma vez criado pela Playground Games.
Fâs do automobilismo, bem-vindos à Terra do Sol Nascente!
Todavia, a verdadeira questão nunca foi o cenário. O desafio principal da Playground Games consistia em provar que Forza Horizon ainda tinha capacidade para ir mais longe. Depois do excelente quinto jogo, muitos jogadores começavam a sentir que a fórmula estava demasiado confortável. Perante aquilo que é uma sensação de jogabilidade perfeita, como é que o jogo poderia evitar tornar-se repetitivo.
Forza Horizon 6 responde a essas preocupações! Não através de uma revolução absoluta, mas através de pequenas melhorias que, em conjunto, tornam esta a experiência derradeira de Forza Horizon!
Assim que somos libertados para explorar o mapa, percebe-se imediatamente que este foi realizado de forma diferente dos anteriores. Enquanto Forza Horizon 5 privilegiava enormes espaços abertos e longas estradas retas através do deserto mexicano, Forza Horizon 6 aposta muito mais na densidade do mapa.
Cada quilómetro parece cuidadosamente desenhado, como se uma pintura se tratasse. Isto é, as estradas serpenteiam entre montanhas, cruzam pequenas aldeias tradicionais, entram em túneis iluminados, atravessam campos de arroz e desembocam em áreas urbanas onde a verticalidade da arquitetura cria uma sensação inédita na série.
No meio de tudo isto, Tóquio é a grande estrela!
Explora cada centímetro desta Tóquio reimaginada!
A cidade real não está perfeitamente reproduzida, mas a Playground conseguiu captar a sua identidade visual através de cruzamentos movimentados, bairros comerciais, zonas industriais, autoestradas elevadas e ruas estreitas onde circulam pequenos kei car ao lado de supercarros italianos.
É um ambiente vivo! À noite, os reflexos das luzes nos pisos molhados criam algumas das imagens mais impressionantes que alguma vez vimos num jogo de corridas.
Mas Forza Horizon 6 vai bem mais longe do que Tóquio. Com efeito, as estradas costeiras oferecem algumas das melhores viagens relaxantes da série, enquanto as regiões montanhosas rapidamente se tornam o palco favorito dos fãs de Initial D e das corridas técnicas. Existem curvas cegas, descidas rápidas, secções extremamente apertadas e troços onde o jogador precisa verdadeiramente de conhecer o comportamento do automóvel para manter um ritmo competitivo. Será sem dúvida o mapa mais divertido da história da série simplesmente porque nunca deixa de oferecer novas estradas para descobrir.
A exploração continua a ser recompensada através dos tradicionais painéis de XP, celeiros escondidos, desafios fotográficos, colecionáveis e eventos secretos, mas desta vez existe um incentivo muito maior para simplesmente conduzir sem destino. É fácil perder uma hora apenas a percorrer estradas secundárias enquanto o ciclo dia/noite e as condições meteorológicas transformam completamente a paisagem. Poucos jogos conseguem transmitir tão bem o prazer puro de conduzir.
Se existe um elemento que a Playground Games domina praticamente na perfeição é o comportamento dos automóveis. Mais uma vez, Forza Horizon 6 encontra aquele equilíbrio extremamente difícil entre o realismo da série Motorsport e a diversão imediata dos jogos arcade. Os automóveis continuam a transmitir peso realista. As diferenças entre tração traseira, dianteira e integral sentem-se desde os primeiros minutos ao volante. Os danos aos automóveis, quando ativados, influenciam verdadeiramente o desempenho.
Mas o jogo continua acessível para os jogadores mais inexperientes! É possível desligar praticamente todas as assistências ou manter uma experiência bastante acessível, permitindo que qualquer jogador encontre rapidamente o seu nível de dificuldade.
E quanto aos bólides? Com mais de 550 veículos disponíveis no lançamento, existe espaço para praticamente todas as culturas automóveis imagináveis: clássicos europeus, muscle cars americanos, superdesportivos italianos, protótipos modernos, pickups, automóveis de competição, e claro, uma seleção impressionante de modelos japoneses, que assumem aqui o papel príncipal.
Os fãs da cultura JDM encontram finalmente o cenário perfeito para colocar à prova os seus Nissan Skyline, Toyota Supra, Mazda RX-7 tanto FC como FD, Honda NSX ou Subaru Impreza nas estradas onde estes foram imaginados e colocados à prova.
É difícil imaginar uma melhor carta de amor à cultura automóvel japonesa.
Se houve um aspeto que começou a ser apontado como um dos pontos menos conseguidos dos títulos anteriores, foi precisamente a progressão. Desde Forza Horizon 3 que a série adotou uma filosofia extremamente permissiva: a de disponibilizar todo o conteúdo desde que nos sentamos ao volante, os automóveis passaram a ser oferecidos com enorme frequência e em algumas horas o jogador estava a conduzir hipercarros que avaliados em milhões de créditos.
Era uma abordagem divertida, mas também reduzia significativamente a sensação de conquista, dado que era bastante fácil passar de um compacto para um hipercarro.
Forza Horizon 6 procura corrigir esse problema sem abandonar a identidade que tornou a série naquilo em que ela se tornou. A progressão continua acessível e descontraída, mas está agora mais bem organizada. Isto é, o Festival Horizon encontra-se dividido em diferentes regiões do Japão, cada uma com objetivos próprios, eventos exclusivos e desafios temáticos que desbloqueiam gradualmente novas atividades.
A evolução deixa de depender apenas da acumulação de pontos de reconhecimento. Existem objetivos relacionados com diferentes estilos de condução, campeonatos específicos, desafios técnicos e provas especiais que incentivam o jogador a experimentar veículos de várias categorias em vez de permanecer sempre ao volante do automóvel mais rápido da garagem. Esta alteração parece subtil, mas produz um efeito muito positivo. Cada sessão de jogo transmite uma maior sensação de progresso, tornando a exploração do mapa mais significativa.
Poucas séries oferecem tanta liberdade ao jogador como Forza Horizon. A personalização dos veículos continua a ser uma das suas maiores virtudes e, felizmente, esse sistema regressa mais completo do que nunca. A criação de pinturas permanece praticamente ilimitada. A comunidade continua a demonstrar uma criatividade impressionante, disponibilizando milhares de esquemas visuais inspirados em equipas de competição, marcas históricas ou produções da cultura popular. Em poucos minutos é possível transformar um automóvel de série numa réplica fiel de um carro de rally dos anos 90 ou numa máquina saída diretamente do mundo do anime.
As modificações mecânicas continuam igualmente profundas. É possível alterar motores, caixas de velocidades, suspensões, diferenciais, sistemas de travagem, pneus e praticamente todos os componentes relevantes do veículo. Os jogadores mais dedicados continuam a encontrar aqui um excelente simulador de preparação automóvel, enquanto aqueles que preferem conduzir sem grandes preocupações podem recorrer às configurações partilhadas pela comunidade.
A beleza da maquina gráfica de Forza Horizon 6 é algo de outro mundo.
O componente multijogador sempre foi um dos pilares da série, mas nem sempre conseguiu acompanhar a excelência da componente individual. Problemas de sincronização, sessões instáveis e dificuldades na criação de grupos afetavam ocasionalmente a experiência. Com Forza Horzion 6, as transições entre exploração livre e eventos competitivos decorrem de forma praticamente instantânea. A estabilidade dos servidores revelou-se bastante sólida durante os primeiros meses após o lançamento e as atividades cooperativas funcionam com uma fluidez invejável.
O motor gráfico apresenta uma qualidade visual extraordinária. As distâncias de visão são enormes, os níveis de detalhe impressionam em praticamente qualquer situação e a iluminação beneficia particularmente do novo sistema de ray tracing implementado durante a condução e nos modos fotográficos. As alterações climatéricas assumem um papel muito mais relevante. A chuva modifica verdadeiramente o comportamento do asfalto, o nevoeiro reduz a visibilidade em zonas montanhosas e as diferentes estações do ano transformam completamente determinados percursos. A primavera cobre muitas regiões com cerejeiras em flor, criando alguns dos cenários mais memoráveis de toda a série. Já o outono pinta as montanhas com tons dourados e avermelhados que tornam cada viagem um espetáculo visual. Também os interiores dos automóveis beneficiaram de melhorias evidentes. Os materiais apresentam maior definição, os painéis de instrumentos exibem animações detalhadas e o nível de atenção ao pormenor continua a ser uma referência para o género.
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No desempenho, a Playground volta a não desiludir. Nas consolas Xbox Series X, os modos de Qualidade e Desempenho mantêm uma estabilidade exemplar, enquanto no PC existe um vasto conjunto de opções gráficas capaz de tirar partido tanto de configurações intermédias como de equipamentos de topo.
Já no que toca à sonoplastia, o jogo é um mimo para os ouvidos, com os detalhes sonoros quase perfeitos, nunca ouvidos anteriormente num jogo do género. Cada automóvel possui uma identidade própria. O ronco de um motor V8 americano transmite uma presença completamente distinta do assobio de um quatro cilindros turbo japonês ou do som agudo de um motor wankel da Mazda.
As diferenças não se limitam ao motor. As transmissões, os sistemas de escape e até a reverberação produzida em túneis ajudam a criar uma sensação de autenticidade muito convincente. A banda sonora mantém a tradição da série, oferecendo várias estações de rádio com estilos musicais distintos. Rock, música eletrónica, hip-hop, pop e artistas japoneses convivem naturalmente, proporcionando uma boa variedade sem nunca se tornarem intrusivos.
Apesar da enorme qualidade global, Forza Horizon 6 não consegue escapar completamente a alguns problemas que acompanham a série há vários anos. O jogo gosta de nos apresentar uma narrativa que, francamente, mais-valia a pena não existir. Existem personagens que interagem com o protagonista, mas isto já é dizer muito, os diálogos, as motivações, nada disto interessa num jogo de carros tão bem conseguido. O Festival Horizon continua a servir apenas como pretexto para ligar os diferentes eventos, sem grande ambição narrativa.
Também a inteligência do CPU continua inconsistente em determinados momentos. Existem corridas em que os adversários parecem perfeitamente equilibrados, mas outras em que recorrem a acelerações pouco naturais ou cometem erros que nenhum humano alguma vez faria.
Alguns jogadores poderão igualmente considerar que, apesar das melhorias introduzidas, a fórmula Horizon começa inevitavelmente a revelar sinais de desgaste. Muitas atividades seguem estruturas familiares e dificilmente surpreenderão quem acompanha a série desde os primeiros capítulos.
Opinião Final:
Forza Horizon 6 demonstra que nem sempre é necessária uma revolução para criar uma excelente sequela. A Playground Games preferiu aperfeiçoar quase todos os sistemas existentes, oferecendo o mapa mais inspirado da história da série, uma condução irrepreensível, um conteúdo absolutamente gigantesco e uma apresentação técnica que estabelece novos padrões para os jogos de corridas em mundo aberto.
O Japão é exatamente o cenário que os fãs imaginavam há tantos anos. As estradas de montanha são um sonho para qualquer entusiasta da condução, as zonas urbanas oferecem um ambiente visual extraordinário e a diversidade paisagística garante que cada viagem transmite uma sensação constante de descoberta. Mais do que um simples novo capítulo, Forza Horizon 6 representa o derradeiro Forza Horizon.
Do que gostamos:
- Forza Horizon no JAPÃO;
- Condução perfeita;
- Excelente equilíbrio entre realismo e acessibilidade;
- Conteúdo abundante e grande longevidade;
- Fantástica homenagem à cultura automóvel japonesa.
Do que não gostamos:
- Narrativa mais valia a pena não existir;
- Inteligência do CPU continua a ter falhas durante as corridas;
- A estrutura da série começa a revelar alguma familiaridade para os veteranos.
Nota: 9/10
Análise efetuada com um código Xbox cedido gentilmente pela distribuidora.