
Quando a Sony Interactive Entertainment e a Marvel Games anunciaram uma parceria com a lendária Arc System Works para desenvolver um novo jogo de luta, as expetativas da comunidade atingiram imediatamente o teto. Conhecida por obras-primas do género como Guilty Gear e BlazBlue, a equipa japonesa traz agora à luz do dia Marvel Tōkon: Fighting Souls, uma aposta ambiciosa focada em combates tag team de 4 contra 4 que procura conciliar a espetacularidade da banda desenhada do mundo da Marvel, o estilo japonês de banda desenhada ou Manga com uma acessibilidade para novos jogadores sem precedentes. Este não é o mundo de Marvel vs. Capcom, muito pelo contrário!
No centro de Marvel Tōkon: Fighting Souls está o inovador sistema de equipas 4v4. Ao contrário de outros jogos do género onde cada combatente possui a sua própria barra de vida, aqui a equipa partilha uma única barra de vida que se expande à medida que novas personagens ficam disponíveis na partida. Os combates começam em formato 1v1 com assistências (de uma única personagem) e progridem até um caos controlado de 4v4 em rotação constante. As mecânicas das barras especiais — como a Assemble Gauge e a Skill Gauge — permitem encadear assistências, cancelamentos e encadeamentos de Ultimate Skills de forma fluida. O jogo oferece opções de controlo ajustáveis, incluindo atalhos para comandos rápidos e easy chain combos (realizáveis apenas com um botão), tornando a curva de aprendizagem extremamente amigável para quem quer apenas pegar no comando e divertir-se.
A apresentação de Marvel Tōkon: Fighting Souls é verdadeiramente de outro mundo!
É precisamente onde reside a maior virtude do jogo que surge também o seu maior problema. Embora o sistema de jogo esteja recheado de opções mecânicas no papel, na prática, a jogabilidade acaba por sentir-se significativamente simplificada e homogeneizada.
Apesar de o jogo contar com um elenco inicial variado de 20 personagens — desde ícones como Spider-Man, Iron Man e Doctor Doom até escolhas mais peculiares como Danger, Magik e Blade —, a forma como se jogam no terreno de combate acaba por ir “dar essencialmente ao mesmo” porque o encadeamento de golpes (e a combinação de botões, que repetimos, os combos podem ser realizados com um único botão) são exatamente iguais para todas as personagens. Os planos de execução, os botões de ligação e as rotas de combo seguem uma estrutura tão idêntica entre personagens que a sensação táctil nas mãos raramente muda. O que é pena, pois o jogo torna-se num jogo de gestão de hit boxes e de rapidez na realização dos comandos durante o combate.
O nosso millenial interior ficou muito feliz quando viu que Blade era uma das personagens disponíveis!
Para um estúdio habituado a desenhar combatentes com identidades e mecânicas drasticamente assimétricas (como sucede em Guilty Gear), esta escolha de design dilui a profundidade individual de cada herói. A ausência de mecânicas verdadeiramente únicas por personagem faz com que, após algumas horas de jogo, a transição entre heróis pareça mais uma mudança estética do que uma mudança real na estratégia de combate.
No campo dos conteúdos, o jogo apresenta uma oferta sólida. O Episode Mode oferece narrativas dedicadas às várias equipas do jogo, terminando em combates de chefes desafiantes. Cada episódio é desenhado e ilustrado por diferentes artistas de banda desenhada, e o nível de qualidade na realização dos mesmos é tão alto que por vezes parece que estamos com uma BD entre as mãos. No modo arcada temos os modos Arcadia Rumble e o All-Star Arena que garantem bom entretenimento a solo ou multiplayer local. Já no modo online, o netcode rollback já habitual nos jogos do género garante partidas extremamente estáveis e fluidas na PS5, acompanhado por um modo de lobbies até 64 jogadores e suporte completo para cross-play com o PC, assegurando uma comunidade ativa e partidas rápidas.
Opinião Final:
Marvel Tōkon: Fighting Souls é uma aposta interessante da Sony Playstation Studios e da Arc System Works. Os combates frenéticos cheios de heróis e vilões da Marvel, num estilo japonês de banda desenhada (manga), trarão certamente muitos fãs de ambos os mundos (BD e manga) para junto dos ecrãs. Resta saber se o jogo terá profundidade suficiente para desenvolver uma “scene” e se tornar um clássico dos jogos de luta.
Do que gostamos:
- Apresentação tipo banda desenhada americana com influência Manga;
- O jogo tem acessibilidade suficiente para ser jogado por quem nunca tocou num comando;
- Os vários modos presentes asseguram que há horas e horas de jogo pela frente;
Do que não gostamos:
- O modo de controlar as personagens, as combinações de botões e as técnicas utilizadas nos combates fazem com que passado algumas horas sentimos que todas as personagens jogam de forma igual;
Nota: 8/10
Análise efetuada com um código PlayStation 5 cedido gentilmente pela distribuidora.