Opinião – Episódio 1 de Dororo – A Historia de Daigo

Como muitos devem ter notado estamos a ampliar o conteúdo que trazemos para o site, com novos temas como séries, filmes, informações sobre a indústria cinematográfica, trailers e muito mais. Algo que sempre foi predominante na minha vida foram os animes, já que basicamente cresci a substituir filmes e animações ocidentais por animes e filmes inspirados em animes como Monster Rancher, Digimon, Megabots, BeyBlade e, é claro, FullMetal Alchemist. Então pensei: “porque não aproveitar e justamente trazer este tipo de conteúdo para o site?”.

A intenção é trazer uma espécie de análises relativamente curtas sobre episódios (obviamente com spoilers) de animes que vou acompanhar, ou me interessaram, a cada temporada. Se necessário, quando todos os episódios forem exibidos, poderei fazer uma análise mais completa sobre o anime como um todo. Para começar, vamos falar de Dororo.

De maneira a fazer uma breve introdução ao anime, vamos à sinopse resumida: Dororo basicamente acompanha a história de Hyakkimaru, um jovem que assim que nasceu teve 48 partes do seu corpo retiradas e distribuídas por 48 demónios devido a um pacto feito pelo seu pai. Abandonado à sua própria sorte, é encontrado por um médico que lhe oferece próteses para as partes do corpo que faltam. Inicia-se então uma jornada de vingança e descoberta, com Hyakkimaru perseguindo os 48 demónios para assim conseguir de volta as partes do seu corpo. Porém, durante a sua viagem irá conhecer Dororo, um jovem ladrão que o seguirá nessa jornada.

O anime é inspirado na obra homónima criada por Osamu Tezuka, e publicada entre 1967-1987, que ganhou grande notoriedade no oriente e que lhe rendeu uma animação pelo estúdio Mushi Productions entre abril e setembro de 1969, tendo posteriormente em 2007 sido realizado um filme live-action. Eis que então chegamos à temporada de inverno 2019, onde a obra ganhou uma nova adaptação em formato de anime pelas mãos da MAPPA (Zankyou no Terror e Zombie Land Saga) e da Tezuka Productions (Sengoku Musou e Genji Monogatari Sennenki), além de estar a cargo de Kazuhiro Furuhashi, diretor das adaptações anime de Rurouni Kenshin e HunterXHunter.

Introduções feitas, vamos ao episódio em si que começa de maneira bem tradicional para a época: numa aldeia, onde uma mulher está prestes a ter o seu primeiro filho. Contudo esta situação aparentemente normal é rapidamente interrompida por um flashback que mostra Daigo Kagemitsu, lorde de Ishikawa e vassalo do governador da província de Kaga, a realizar um pacto com diversos demónios, uma vez que a província está a ser assolada pela fome e epidemias mortais, o que consequentemente está a prejudicar a sua força e renome no local. Em troca, Daigo está disposto a oferecer tudo o que tem aos demónios, ou o que desejem dele, e é justamente aí que chegamos ao fatídico dia do nascimento de Hyakkimaru.

Assim que a criança nasce, um grande e misterioso raio atinge o local, danificando a estátua da Deusa da Piedade (provavelmente uma representação de Guan Yin) e transformando uma criança aparentemente normal, numa criatura horrenda sem membros, olhos, nariz e pele, restando praticamente um grande amontoado de músculos e sangue. Daigo inicialmente mostra-se surpreso, mas rapidamente percebe que aquele é o preço a pagar pelo seu pacto, e, mesmo sendo o seu primeiro filho, não mostra a menor piedade ao deixá-lo ser levado e afogado no rio (prática comum em muitas culturas antigas, principalmente pela ideia de um sucessor e guerreiro forte). Porém, no momento em que mostra ainda estar a lutar pela vida, Hyakkimaru é deixado à sua própria sorte num barco, com a responsável pelo parto a morrer logo de seguida, resultado do ataque de um demónio que estava à espreita.

Se esta introdução não fosse já suficiente para mostrar o clima tenso que o anime promete, a sua abertura (Queen Bee – Kaen) deixa-o ainda mais claro, com imagens que combinam bem um estilo mais simples de animação que correspondem a diversas imagens do anime, dos seus personagens e até de referências ao budismo e xintoísmo, como, por exemplo, os cavalos-brancos, que muito provavelmente fazem referência ao Templo Baima, também conhecido como “Templo do Cavalo Branco”, pertencente à religião budista (religião muito presente neste episódio).

Durante este primeiro capítulo somos ainda apresentados a um músico cego que aparentemente persegue e lida com alguns demónios, e ao médico que ajudou Hyakkimaru lhe ofereceu as partes do seu corpo em falta. Estas personagens são pouco explorados neste episódio, mas até devido à sua importância, já no próximo episódio é possível que vejamos mais sobre eles, e pelo menos sobre a ligação entre o médico e Hyakkimaru, além de aprofundar quais os motivos pelos quais oferece próteses mesmo aos mortos (para além da questão religiosa).

Somos também apresentados a Dororo, o jovem ladrão que recorre a diversas estratégias para se fingir de inocente, roubar aqueles que confiaram nele e depois vender as peças de que se apropriou. Contudo, é rapidamente encontrado por aqueles a quem roubou, perseguido e posteriormente agredido por esses bandidos. Sem muita surpresa, é nesse momento que surge Hyakkimaru, porém, ao contrário de outros animes de ação e de criação de relações entre personagens, Hyakkimaru não está ali para ajudar Dororo, e nem mesmo para ver toda a confusão que está a ocorrer logo abaixo dele, já que é cego e surdo. O seu objetivo é derrotar um dos demónios que está com uma parte do seu corpo e se aproxima lentamente pelo rio. A luta e as animações estão até bem fluidas, com Hyakkimaru, a recorrer a espadas ligadas ao seu braço para destruir a ponte e derrotar o demónio aparentemente feito de lama e detritos.

O plot-twist do episódio, é mesmo o final, em que vemos Hyakkimaru, após derrotar o demónio e recuperar o seu rosto, e a sua mãe, que após tantos anos se terem passado, ainda se lembra que foi num dia de tempestade como aquele que tudo aconteceu.

Opinião Pessoal:

Dos três animes que quero acompanhar esta temporada, Dororo é sem dúvida aquele em que eu menos pesquisei ou estudei a obra original, pois queria ter a minha primeira impressão totalmente construída com base no anime, e nos primeiros minutos o mesmo deixa claro que não é um anime para todas as idades. Apesar disso, realmente esperava por algo ainda mais pesado, mais gore e mais sombrio, embora tenha gostado do que foi apresentado neste primeiro episódio, que me  fez lembrar em diversos momentos de Basilisk, e que serviu basicamente como um episódio de construção de narrativa, onde nos foi apresentado o universo do anime e os seus protagonistas.

Por agora, será um anime que irei sem dúvida alguma acompanhar, e estou especialmente curioso por saber como vão dar seguimento à história ao longo do tempo, já que claramente ainda falta apresentar alguns elementos da narrativa e principalmente desenvolver a relação entre Hyakkimaru e Dororo, sendo que este último claramente servirá como um fator de equilíbrio entre a tensão e o humor do anime.

Outro elemento que estou curioso por ver é como serão adaptados os 48 demónios, já que claramente no Templo do Inferno estava representado um número muito menor, e o próprio anime não deverá ser tão extenso quanto isso, pelo que é possível que haja uma ligeira redução.