Orbitals – Análise

Não é todos os dias que aparece um jogo que parece ter saído de uma cassete de vídeo dos anos 80, esquecida numa gaveta e redescoberta numa tarde de chuva. Pois bem, é exatamente essa a sensação que Orbitals nos deixa logo nos primeiros minutos. Trata-se de uma aventura cooperativa de puzzles, exclusiva da Nintendo Switch 2, desenvolvida pela Shapefarm e publicada pela Kepler Interactive, que chegou ao mercado a 3 de setembro de 2026.

Controlamos Maki e Omura, dois exploradores inseparáveis, que através da tecnologia se tornaram tecnicamente imortais, as suas almas estando guardadas dentro de máquinas que depois imprimem novos corpos – One mind Machines – ou só IMs. Aliás, quase toda a gente no universo de Orbitals encontra-se nessa situação de imortalidade. Infelizmente as maquinas onde as almas se encontram guardadas podem ser destruídas e isso significa que a morte se tornará permanente. Maki e Omura têm mais determinação do que experiência, e como veremos, são frequentes as situações de respawn. O objetivo principal do jogo é atravessar uma tempestade cósmica sobrenatural para salvar a estação espacial onde vivem. Estação que na verdade já viu melhores dias. Orbitals traz consigo uma premissa simples, mas com o encanto certo para nos pôr a caminho.

A adorável apresentação de Orbitals é um dos cartões de visita do jogo!

Falaremos dos gráficos primeiro já que é um elemento tão diferenciador deste jogo! Orbitals é lindíssimo! Parece verdadeiramente um desenho animado dos anos 80, cheio de estilo, com influências claras dos velhos estúdios japoneses, e o Studio Ghibli vem-nos à cabeça mais do que uma vez. As cutscenes foram feitas à mão pelo Studio Massket, há dobragem completa em inglês, japonês e mais seis línguas, e a banda sonora original procura recriar a magia dessa época. Em orbitals, a apresentação gráfica e sonora contribuem de forma igual para a nostalgia!

Em termos de jogabilidade, alternam-se secções de puzzles e plataformas, algumas delas em perspetiva 2D, com momentos em que os dois jogadores pilotam manualmente a nave. O diretor, Jakob Lundgren, passou por títulos da Hazelight como A Way Out, It Takes Two e Split Fiction. Quem conhece esses jogos reconhece a filosofia. O objetivo é fugir do co-op em que um jogador espera enquanto o outro resolve, e pôr os dois sempre em movimento e a comunicar. Aqui não há espaço para meias-tintas: a cooperação tem de ser perfeita, e quando as peças finalmente encaixam a sensação é fantástica. Divertimo-nos imenso!

Conta sempre com o teu parceiro! A colaboração é essencial para alcançarem a vitória!

A nível sonoro, Orbitals é um verdadeiro regresso ao passado. A banda sonora é da dupla Falk & Klou, formada por Fredrik Segerfalk e Carl-Johan Fogelklou, que assina aqui a sua estreia em videojogos com uma pergunta na cabeça: e se os anos 80 nunca tivessem acabado? O resultado são melodias a voar alto, sintetizadores elétricos e um ar nostálgico que nos põe logo no ambiente certo. Os temas de abertura e de encerramento têm a voz de Mami Ayukawa, lendária cantora de J-pop que deu voz a genéricos de clássicos da animação dos anos 80, como Mobile Suit Zeta Gundam. E não é só a música: o sound designer Isamu Ogawa e a equipa foram pesquisar entrevistas e materiais antigos para perceber como eram criados os efeitos sonoros dos velhos animes, e tentaram depois recriá-los dentro do jogo. Juntando a dobragem completa, em inglês, japonês e mais seis línguas, tudo contribui para aquele sabor de série de sábado de manhã que torna a aventura tão acolhedora. E num jogo em que os dois jogadores têm de comunicar constantemente, é ótimo que no departamento sonoro Orbitals seja tão competente.

Não conseguimos ultrapassar a sensação de estar a jogar um animé dos anos 80!

O senão? Orbitals não tem modo de um jogador o que faz todo o sentido dado o tipo de experiência que é, mas ao mesmo tempo deixa-nos muito tristes. Ou seja, sem um parceiro de jogo não há aventura!!! Mas, curiosamente, é também a sua maior força, porque tudo no jogo foi pensado para dois. E a Nintendo facilita-nos a vida. Podemos jogar em ecrã dividido no mesmo aparelho, com dois pares de Joy-Con 2, ou partilhar o jogo através do GameShare, que funciona também com uma Nintendo Switch original, embora o modo online exija uma subscrição Nintendo Switch Online. Existe ainda o Global Friend’s Pass, que permite a um amigo juntar-se à aventura completa sem custos, desde que o anfitrião tenha o jogo.

Opinião Final:

Orbitals é uma daquelas aventuras que nos lembram porque é que jogar acompanhado é tão especial. Visualmente deslumbrante, com um estilo que homenageia os clássicos da animação japonesa, e com puzzles que só resultam se trabalharmos mesmo em equipa. Não é um jogo para quem joga sozinho, mas para quem tiver um parceiro de jogo à mão, é uma experiência memorável.

Do que gostamos:

  • Visual retro anime deslumbrante, com cutscenes e banda sonora cheias de personalidade;
  • Puzzles que exigem comunicação e cooperação perfeitas entre os dois jogadores;
  • Basta uma cópia do jogo para jogar a dois, graças ao GameShare!

Do que não gostamos:

  • Não tem modo de um jogador, pelo que é obrigatório ter um parceiro de jogo.

Nota: 9,5/10

Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.