Pragmata – Análise

Vou começar por comparar este jogo à pequena Diana. Tal como a andróide, Pragmata é encantador, funciona bem e focado, mas sinto que lhe falta algo. Ou que falha em algo, como na relação que tenta criar entre os dois protagonistas. Alma, sim, acho que é isso mesmo.
Pragmata é uma soma de várias partes; uma lista de itens riscados para entregar uma experiência de ficção científica decente —uma abertura espacial, uma base lunar abandonada de vida e uma enorme impressora 3D que não demora a pifar quando a IA do sítio se passa da marmita. Portanto, o normal. É durante este caos que a pequena androide D-I-0336-7, ou Diana, se junta a Hugh para desvendar o mistério da base e contactar o planeta daquele humano.

Não é uma premissa original e já sabemos que cordões emocionais querem tocar, não fosse esta dinâmica popular entre jogos, como The Last of Us. Ao passo que este vive da tensão, do terror, do drama e de uma distância entre protagonistas que as horas de jogo encurta, aqui não há muito disso. Pragmata não é um jogo de terror nem tenso, aproxima-se mais da estética e acção de Vanquish, da PlatinumGames, mas com uma pior jogabilidade e diversão.

Diana é das melhores partes de Pragmata.

Mas se a história não nos agarra, talvez a jogabilidade tenha mais sucesso? Bem, aqui é mais subjectivo… Depois de um Resident Evil Requiem, com dois modos de jogo e acção fluida, pegar neste Pragmata foi quase um retrocesso porque nem os tiroteios na terceira pessoa ou o hacking me satisfizeram. Disparar, pelo menos com o revólver principal, é um suplício enquanto não o melhoramos e o restante arsenal é escasso e limitado.

Se fosse só isto, mas não: não vamos tirar dano suficiente enquanto não hackearmos os adversários e é para isso que serve a Diana. Empoleirada aos ombros, temos de completar pequenos minijogos para despir os adversários de defesas ou de mobilidade. Na teoria, acredito que tenha sido uma boa ideia. Na prática, e como só tenho um olho bom, senti-me transportado para a frustração de jogar Star Fox Guard.

Reconheço ser um problema meu, mas como é a minha experiência, senti que não estava a desfrutar porque não fazia uma coisa nem outra coisa bem: andar/desviar, hacker e disparar.
Para descansar, podemos retornar à base para melhorar as armas, desenvolver atributos e falar com a Diana. Também lhe podemos oferecer presentes e decorar o nosso cantinho com figuras. E depois voltamos à carga. Aqui, admito que apreciei os níveis e a direcção artística — biomas díspares e bizarros que contrastavam com a estética de ficção científica, isto porque eram cenários impressos por uma enorme máquina 3D. Se os aficionados da vida real gostam de imprimir os mais diversos objectos, como porta-chaves ou figuras, aqui tentam imprimir uma sociedade. Ou a ideia que uma máquina tem da sociedade…

O que não prag-mata, engorda.

Pragmata é outro fruto do RE Engine que continua a não falhar em visuais e em desempenho. Suave e sem problemas dignos de registar, é um jogo que não deixa os olhos passar fome, com caras expressivas e os mencionados cenários vibrantes e repletos de detalhes. Ao passo que as interpretações estavam muito boas, principalmente a de Grace como a pequena Diana, a banda sonora não me ficou na
cabeça nem os demais efeitos sonoros.

Este jogo é como uma impressão 3D: indicamos o que queremos, como queremos e o resultado sai do outro lado. É bonito, é funcional, mas falta-lhe aquela tosquice do toque humano ou, se quisermos ser poéticos, a alma. Consegui ver todas as partes a funcionar, mas não consegui sentir prazer ou deslumbramento. Ainda assim, sei que este jogo vai funcionar com outros e talvez ainda funcione comigo mais tarde, com outro estado de espírito.

Opinião Final:

Em última análise, Pragmata é um jogo que cumpre com quase tudo aquilo a que se propõe, mas não vai além disso. Tem ideias interessantes, uma base técnica sólida e momentos visuais que impressionam, mas parece sempre faltar-lhe aquele elemento invisível que transforma competência em memória duradoura. A relação entre Hugh e Diana, que deveria ser o seu coração, nunca ganha o peso necessário para sustentar a experiência, e a jogabilidade, apesar de ambiciosa, acaba por tropeçar na execução.

Do que gostamos:

  • Visuais;
  • Interpretações dos protagonistas;
  • Ambição.

Do que não gostamos:

  • Da execução;
  • Jogabilidade trapalhona.

Nota: 7/10

Análise efetuada com um código Xbox cedido gentilmente pela distribuidora.