Screamer – Análise

Screamer (1995) está entre os nomes que os fãs de jogos de corrida arcade dos anos 90 de certeza que conhecem bem. Na altura, esta série trouxe a experiência clássica para o PC e surpreendeu pelos seus gráficos e pela forma como transpunha a velocidade elevada e os drifts típicos de séries como Ridge Racer para os monitores das nossas casas.

Agora em 2026, chega-nos um reboot da série, ao qual estão associados alguns dos criadores originais na Milestone, também chamado Screamer. A grande diferença que salta logo à vista é o seu estilo artístico: Screamer faz jus à influência japonesa agora também na direção artística das suas cinemáticas e um pouco também nas corridas que nos apresenta com um estilo típico de anime, e que assenta que nem uma luva.

Nos nossos primeiros momentos com Screamer, pensámos que todo este estilo indicava que o orçamento tinha sido desequilibrado, com um claro pendor para o aspeto visual e alguma despreocupação a nível da jogabilidade. No entanto, as primeiras impressões no caso de Screamer enganam até certo ponto, dada a sua jogabilidade pouco convencional.

Screenshot #0

Neste título, devemos usar os dois analógicos para controlar o nosso veículo nas várias corridas. O analógico esquerdo serve para orientarmos o nosso carro, como de costume, mas para além disso o analógico direito permite-nos fazer drift, tornando as curvas apertadas ainda mais entusiasmantes. Para além dos dois analógicos e dos típicos botões traseiros para acelerar e travar, os dois botões LB e RB (na Steam Deck, correspondentes a L1 e R1 na versão PlayStation 5) servem ainda outras funções, nomeadamente para trocar a mudança, para ativar o turbo, para atacar adversários ao longo da pista e para ativar um escudo. Trata-se de um sistema de controlo que demora até “encaixar”, mas assim que nos acostumamos a ele, Screamer torna-se num jogo de corridas bastante divertido e emocionante.

O mesmo, infelizmente, não posso dizer do modo estória (designado por “Tournament Mode”), em que de facto notei alguma falta de equilíbrio entre os momentos mais cinemáticos e uma narrativa e nível de escrita que ficam bastante aquém do que gostaríamos de ter visto. Outro exemplo é que as cinemáticas deste jogo estão muito bem conseguidas, incluindo uma introdução ao modo campanha que faz frente a algumas das melhores produções de animação japonesa, ao passo que a maior parte da narrativa é contada através de falas de modelos pouco expressivos e que nos impedem de levar a sério uma narrativa que tenta de facto ter temas sérios. Finalmente, apesar de esta ser em princípio uma ideia gira, o facto de diferentes personagens falarem em diferentes línguas uns com os outros (p.e. um em inglês e outro em francês, ou outra em japonês) deixa-nos a coçar a cabeça sobre como se entendem mutuamente, e igualmente não nos deixa ficar imersos na narrativa.

Screenshot #2

Apesar destas deficiências na campanha, que me levaram a passar à frente a maior parte do diálogo, Screamer contém ainda vários modos de jogo que valem a pena descobrir. Ao longo do Tournament Mode vamos desbloqueando novas personagens e novas rotas que podemos depois explorar nesses vários modos. Por exemplo, um deles é um modo de corrida livre, outro modo é dedicado ao jogo online, entre outros. A quantidade de circuitos, veículos e personagens é bastante satisfatória. Só é pena que tenhamos de aturar algumas delas mais do que gostaríamos no modo campanha para podermos desbloquear outras mais interessantes.

Opinião Final:

Screamer é um jogo de corridas que não se preocupa demasiado com realismo, pondo antes o destaque em colisões e drifts. Desta forma, vem colmatar de certa forma uma falta de jogos de corrida mais baseados em diversão e não tanto em apresentar um estilo o mais realista possível. Os próprios cenários e cinemáticas deste jogo fazem transparecer a verdadeira energia deste jogo: passar-nos a sensação de um jogo de arcada japonês dos anos 90. Apesar de conter uma campanha que considerámos bastante fraca quer a nível narrativo, quer a nível das suas personagens e da execução dos diálogos, a verdade é que contém vários outros modos de jogo, assim como circuitos, personagens, e veículos que valem bem a pena explorar.

Do que gostamos:

  • Estilo jogo de arcada dos anos 90 foi bem-conseguido;
  • Jogabilidade que se vai entranhando e tornando cada vez mais divertida;
  • Cinemáticas muito bem animadas;
  • Vários modos de jogo, veículos, personagens, e circuitos.

Do que não gostamos:

  • Inicialmente o estilo de jogo menos convencional mostra-se inacessível;
  • Algumas personagens no modo campanha são realmente irritantes;
  • Narrativa, diálogos e execução fracos no modo campanha.

Nota: 7/10

Análise efetuada com um código PC cedido gentilmente pela distribuidora.