Tales Of Arise – Beyond The Dawn Edition (Switch 2) – Análise

Tendo sido lançado ao longo dos anos, desde 2021, para as principais plataformas (PC, PlayStation 4 e 5 e Xbox One e Series), o título original mais recente da franquia Tales of Arise, chegou agora no passado mês de maio à Nintendo Switch 2 numa edição que inclui a sua expansão Beyond the Dawn. Comecemos por uma breve descrição e avaliação do conteúdo em si, e passemos então de seguida a uma avaliação do port para a Switch 2.

Tales of Arise, seguindo nos passos dos seus antecessores, é um JRPG de ação em que deverão seguir um elenco de personagens, cada um com as suas próprias motivações, ao longo de longas horas. Para terem uma ideia da jogabilidade de Tales of Arise, pensem em jogos como Final Fantasy XVI ou Kingdom Hearts, algo no meio termo entre os tradicionais RPGs por turnos como Shin Megami Tensei e jogos de ação mais pura, como Devil May Cry e Bayonetta. Ao contrário dos dois exemplos acima referidos de JRPGs de ação, em Tales of Arise existe uma delineação clara entre os momentos de exploração do mundo de Dahna e os momentos de combate, em arenas circunscritas. Neste ponto, parece-se sim mais com os RPGs mais tradicionais que acabamos de referir, embora mais perto de Persona ou os primeiros Pokémon da geração da Switch, em que conseguíamos ver os inimigos no mapa antes de entrar em confrontos com os mesmos. Ao contrário de vários jogos neste género, no entanto, não parece existir qualquer forma de benefícios antes do inicio da batalha, por exemplo com um ataque surpresa. Tal acaba por ser um detalhe que deixa algo a desejar, dado que mecânicas como estas se tornaram padrão. Quanto ao combate em si, temos aqui um sistema bastante competente em que cada uma das personagens na nossa equipa tem um conjunto verdadeiramente enorme de habilidades disponíveis, incluindo algumas bem especiais e que culminam em efeitos visuais bem aprazíveis.

No que toca à jogabilidade em si, não temos muito mais a acrescentar. Tales of Arise é um JRPG bem tradicional em vários aspetos, para o bem e para o mal. Se por um lado nos traz uma campanha bastante longa com temáticas interessantes e um sistema de combate que nos faz lembrar de várias séries de anime, por outro lado também contém algum conteúdo que parece estar incluído simplesmente para aumentar a duração do jogo, tais como as mal-famadas fetch quests.

Mencionei brevemente os detalhes visuais de Tales of Arise, e este é talvez o ponto que merece maior destaque positivo na avaliação da proposta base. Embora já se tenham passado quase 5 anos desde o seu lançamento, Tales of Arise continua a deslumbrar pela sua direção artística. Durante uma boa parte do tempo, e à semelhança de jogos como Granblue Fantasy Relink, sentimos mesmo que poderíamos estar inseridos num dos universos dos nossos shonen favoritos.

Mencionei, ainda, a campanha e os seus temas. Pessoalmente, este jogo acaba por se destacar pela exploração das várias motivações e jornadas de cada um dos membros da equipa. Embora acabemos por ter os mesmos objetivos, cada um dos membros da equipa tem a sua própria razão para derrotar os Renans e libertar Dahna. Infelizmente, e também em semelhança a outros JRPGs, argumentavelmente Tales of Arise prolonga demasiado a sua estadia e a campanha poderia ser substancialmente encurtada sem desprimor para os temas que pretende abordar. Num momento em que tantos jogos competem pela nossa atenção, consideramos este um ponto importante em que Tales of Arise não tinha necessidade de falhar, pois o seu melhor conteúdo já era mais que suficiente.

Falemos, agora, da versão Nintendo Switch 2. Em primeiro lugar há que saudar a forma como os visuais de Tales of Arise foram transpostos com toda a sua nitidez para a plataforma da Nintendo. No entanto, esta opção também se revela o maior problema desta conversão: a sua performance. Em modo TV, tivemos uma experiência geralmente positiva com este jogo, embora o jogo agora corra a 30 fotogramas por segundo e estes não sejam sempre consistentes, o que não é o mais desejável para um título com ação relativamente rápida como este. Não somos especialmente sensíveis a esta distinção se o rácio de fotograma for consistente, o que é maioritariamente o caso neste modo de jogo. Infelizmente, não podemos dizer o mesmo do modo portátil. Embora a qualidade de imagem se mantenha praticamente idêntica, a performance neste modo é das piores que pudemos testemunhar até ao momento na plataforma híbrida da Nintendo, sendo bastante inconsistente nos momentos de exploração de Dahna.

Opinião Final:

Analisando as versões iniciais de Tales of Arise, provavelmente daríamos a este jogo um 8 em 10. É um JRPG de gema e que combina de forma bastante competente visuais impressionantes que nos lembram dos nossos animes favoritos, temáticas narrativas genuinamente interessantes e um bom sistema de combate. Ainda assim, acaba por falhar em pontos comuns do género: a campanha estende-se mais do que o necessário, especialmente devido a missões secundárias desinteressantes. Se Tales of Arise nesta nossa metáfora fosse um anime, então seria um que contém bastantes episódios de filler. O que leva a uma nota ligeiramente mais modesta é simplesmente o facto de que não é uma boa experiência em modo portátil, modo em que imaginamos que muitos iriam preferir jogá-lo.

Do que gostamos:

  • Temáticas narrativas interessantes;
  • Visuais impressionantes que nos lembram das nossas séries de anime favoritas;
  • Jogabilidade bastante divertida, com imensas habilidades e combinações;
  • Imagem bastante nítida na Switch 2, quer em modo portátil, quer em modo TV.

Do que não gostamos:

  • Traz consigo lugares comuns menos positivos do género a que pertence;
  • A perfomance poderia ser bastante melhor…
  • Especialmente em modo portátil, em que a experiência é bastante inconsistente.

Nota: 7/10

Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.