Tom Clancy’s Ghost Recon: Breakpoint – Análise

Tom Clancy’s Ghost Recon: Breakpoint é a continuação do trabalho iniciado em Wildlands. Os que já conhecem o seu antecessor vão certamente encontrar vários aspetos em tudo semelhantes. Afastando-se do mundo criminoso da Bolívia onde lutavamos contra cartéis de droga, Breakpoint ocorre num local fictício, denominado como Aurora, que seria perto da Nova Zelândia, onde o vilão é o ex-camarada e Tenente Coronel Cole D. Walker, interpretado por Jon Bernthal. A familiaridade com a personagem tinha tudo para facilitar a intrusão do jogador com o próprio jogo. Mas será Breakpoint melhor do que Wildlands?

O enredo inicia-se com a queda de um helicóptero militar numa operação de seu nome Nomad. Foi este o momento em que Walker, trapaceiro, levou consigo vários Ex-Ghosts e criou assim uma fação extremamente perigosa, os Wolves. Os “fantasmas” são os mais temidos militares no mundo de Ghost Recon, e Walker tinha sido um dos fantasmas mais temidos – ou seja, é um dos melhores entre os melhores -, pelo que assumimos aqui que a nossa missão vai ser de facto dura, algo que se veio a confirmar momentos mais mais tarde. Bernthal fez um bom trabalho como Cole Walker, contudo todo o desenrolar da narrativa se mostrou previsível e em muitos momentos demasiado cliché.

A jogabilidade de Ghost Recon: Breakpoint é basicamente a mesma do seu antecessor: trata-se de um shooter na terceira pessoa com elementos RPG que bebem de The Division e, nos seus cenários amplos, de FarCry. Aurora é enorme e há muitas missões para manter os jogadores ocupados, tanto de história como missões secundárias. Não recorrer aos tutoriais faz com que a imersão do jogador cresça. Andar perdido e explorar cada canto e cada missão sem ter os sucessivos pontos marcados torna tudo mais selvagem e aventureiro, e esta é mesmo uma das melhores sensações que o jogo nos transmite. Explorar a ilha é divertido, embora o facto de inimigos aparecerem de forma recorrente torne a exploração aborrecida, dando-nos uma noção de pouco realismo.

Ghost Recon Breakpoint tem bom sumo, mas grande parte da fruta é mal aproveitada, como por exemplo a constante ligação à Internet ser obrigatória, tornando impossível pausarmos o jogo a meio de uma missão para colocar a consola em modo suspenso (no entanto, os utilizadores da plataforma PC podem não ter esse problema). Apesar de podermos usufruir de uma experiência a solo em Ghost Recon, o design e a forma como o jogo foi desenvolvido promovem claramente uma abertura por parte dos jogadores para ingressarem no modo cooperativo, onde tudo se torna melhor e faz muito mais sentido. Apesar da maioria dos utilizadores de uma consola ou PC estarem constantemente ligados à internet, isso não significa que haja quem não o faça e que queira comprar este título. Parece-nos, assim, uma má decisão por parte da Ubisoft não haver acesso via offline a este Ghost Recon.

Uma das atualizações promovidas da Beta para o projeto final foi a de incorporação de lesões nos nossos personagens, o que faz com que, quando somos alvejados, os ferimentos persistam até nos resguardamos num local seguro para que nos possamos curar. Esta não é, de todo, uma má ideia, mas também não foi de todo bem implementada, tornando o gameplay do jogo mais aborrecido e sacrificando um pouco a diversão dos jogadores.

O problema nuclear de Ghost Recon: Breakpoint é precisamente o sentido da sua existência. Como referi anteriormente, o mais recente título da Ubisoft parece uma espécie de fusão entre The Division e o anterior título da saga Ghost Recon. Os dois títulos em questão parecem ter sido a base principal para o desenvolvimento de Breakpoint, contudo não tão bem aproveitada, e isto precisamente pelos excessos impostos no jogo. Quando estamos a jogar sentimos que existe muito conteúdo, mas muito dele é repetitivo e o sistema de loot acaba por não funcionar tão bem como funciona em The Division. Talvez pela dificuldade em definir uma identidade própria, Breakpoint acaba por se reduzir a uma mistura demasiado complexa e confusa.

A jogabilidade não foi muito alterada e mantém-se dentro do que tem sido o ADN da Ubisoft nos últimos anos; mantendo a presença de veículos, ação desenfreada e variada com a abordagem stealth também disponível. E tal é algo de positivo, mas que no fundo mas não traz muito em termos de inovação. Existem várias missões de história, além de inúmeras missões secundárias. O acampamento foi uma das adições por parte da Ubisoft ao jogo, e neste podemos adicionar buffs temporários enquanto pensamos na abordagem para a próxima missão. Considero que esta foi uma boa adição.

Parte da diversão varia consoante a nossa companhia enquanto desfrutamos do título. É aprazível engendrar e planear missões de acordo com os itens que vamos conseguindo. Mesmo quando corre mal, são retirados daqui momentos bastante prometedores e que conseguem esconder um pouco aquilo que o jogo tem a menos. Aurora é um continente lindo e explorá-lo ao mesmo tempo que os nossos amigos ainda o torna mais interessante. Aqui um entrave é quando acabamos por encontrar inimigos com um nível bastante superior ao nosso, e aí é necessário que alguém nos dê boleia, e rápido! No quesito de diversão cooperativa, a Ubisoft acertou em cheio.

A parte gráfica de Ghost Recon: Breakpoint é algo controversa na minha cabeça. Se por um lado, temos Aurora com um visual por vezes deslumbrante, também é verdade que chega a ser irritante a falta de texturas em determinados momentos do jogo, assim como certas modelagens 3D menos conseguidas, apesar da mecânica do jogo ser responsiva e se comportar exatamente da forma como deveria.

Para finalizar, é obrigatório referir um dos pontos mais negros neste título da Ubisoft: as microtransações. Existem em todo o lado, apesar da grande maioria serem cosméticos. Poucas delas podem ser consideradas como criando um sistema “pay to win”, ou seja, que sejam vantajosas em determinados momentos num confronto entre dois jogadores. O lado menos mau desta avalanche de microtransações é mesmo o facto de pouco lhe sentirmos a falta durante a campanha, tirando grande parte do protagonismo e tendo um efeito reverso à sua grande quantidade.

Opinião Final:

Breakpoint poderia ter sido melhor se tivesse uma exigência menor consigo mesmo. Tornou-se numa mistura demasiado confusa e perde-se muito do seu potencial. Tem uma boa jogabilidade e uma bela Aurora que nos oferece visuais incríveis. Mas depois vem a repetitividade de missões, o aborrecimento de o jogar sozinho, assim como uma quantidade de erros e bugs muito grande. No geral, é um jogo mediano com um nome de jogo enorme!

Do que gostamos:

  • Vasto mundo aberto;
  • Visuais de natureza deslumbrantes;
  • Cooperativo;
  • Conteúdo.

Do que não gostamos:

  • ADN mal definido;
  • Bugs e erros não forçados;
  • Foco nas microtransações.

Nota: 6,5/10