
De tempos em tempos, surge um título novo vindo da terra do sol nascente, um título que muitas vezes é incompreendido pelas massas ocidentais, habituadas aos jogos de tiros e de corrida. Esse título eventualmente ganhará um seguimento de nicho, através de fãs incondicionais de tudo aquilo que vem do Japão, ainda que muitas vezes nem esses fãs compreendam o que estão a jogar.
Este é o caso do novo Tomodachi Life: Living the Dream. Embora seja tecnicamente o terceiro jogo na série Tomodachi (amigo em Japonês), é o segundo título Tomodachi Life, e o objetivo é acompanharmos e influenciarmos a vida dos nossos amigos habitantes no seu dia a dia.
Que habitantes? Recordam-se dos Mii, aquelas personagens adoráveis que criávamos nos tempos da Wii? Pois bem, os Mii estão de volta, habitando a ilha que cumpre ao jogador (uma divindade benévola) gerir, assegurando a felicidade dos seus habitantes.
Como podem desde já imaginar, os Mii que habitam a ilha de cada jogador em tudo dependerão da criatividade destes. Começamos sempre com a personagem que nos representa (ou que é criada à imagem do jogador), a/o nossa/o companheira/o, os nossos pais, amigos, colegas de escola, figuras públicas, personagens fictícias… o céu é o limite para a vossa criatividade. É possível programar relações ou parentescos (que fazem com que os Mii ganhem uma tendência natural para estabelecer essas ligações no jogo). Rapidamente os Mii começam a travar amizades uns com os outros e a criar dinâmicas muito interessantes.
Vê os teus Mii a desenvolverem vidas sociais interessantes.
O que coloca Tomodachi Life à parte de outros simuladores de vida são as interações engraçadas e simplesmente surreais que os habitantes da ilha muitas vezes têm entre si. Desde sonhos bizarros com pratos desenhados pelo jogador, até a conversas impactantes sobre informações que o jogador deu às personagens. O potencial para o caos está completamente assegurado e talvez seja por isso que a função de exportar imagens capturadas do jogo está desativado na consola.
Não é possível jogar-se Tomodachi Life se não formos alguém minimamente criativo, já que muito do tempo passado no jogo será a criar personagens ou então a criar assuntos para elas falarem ou coisas para elas partilharem. A capacidade de editarmos a personalidade das personagens é brilhante e bastante profunda. Para além disso, quer o modo de edição da ilha, assim como os mecanismos de criação de itens são bastante desenvolvidos, o que permitem que percamos a cabeça com o design, não apenas de uma cidade, vila ou resort, mas de muitas das coisas existentes na ilha. Ou seja, para aqueles atrás de uma experiência mais passiva, este não é o jogo para vocês. Todavia, todos aqueles que adorariam ter um mini-mundo onde vocês e a vossa família e amigos e todos aqueles que conseguirem imaginar vivem juntos e felizes, criando situações hilariantes, Tomodachi Life promete horas de diversão.
O island creator é verdadeiramente poderoso!
O que faz com que soe estranho se vos dissermos que a única forma de partilhar as personagens que criamos é através da ligação Wi-Fi local. Sim, não tendo a Nintendo Switch, forma de ler os códigos QR de Tomodachi Life na Nintendo 3DS, a única forma de partilhar Mii a grandes distâncias é recriar as personagens no editor Mii do jogo. É pena, dado que já nos tempos longínquos da Wii havia verdadeiras criações absolutamente brilhantes no Mii Parade (e até levou ao lançamento de um canal específico – Mii Contest Channel – para votar e descarregar em criações Mii), e sempre as pudemos importar para o nosso Mii Plaza. Num jogo que tem tudo para ser extremamente social, estas opções “seguras” da Nintendo em não permitir a partilha, quer de imagens/vídeo, quer das personagens sem ser localmente, parecem estranhas e são de lamentar.
Cria vários elementos que depois podes oferecer aos teus Mii.
Opinião Final:
Tomodachi Life: Living the Dream existe no cruzamento entre um simulador de vida cozy (Animal Crossing, Pokopia) e um humor seco e bizarro que só poderia ter saído do Japão. Não é um jogo para toda a gente, mas é excelente se lhe dedicarmos tempo e carinho, especialmente para desenvolver as personagens Mii e o mundo em seu redor. Só assim podemos ver as situações hilariantes em que as personagens se metem. Não tem quaisquer capacidades de partilha online, mas se tivesse, poderia ser muito melhor e mais divertido. Assim como está, é um bom jogo para se jogar sozinho ou com a família e amigos no sofá em frente à TV.
Do que gostamos:
- Os Mii estão de volta, agora com mais opções de edição;
- Capacidade de editar a personalidade dos Mii em muito ultrapassa o jogo anterior;
- As interações entre as personagens são hilariantes!
Do que não gostamos:
- Por vezes pode-se tornar repetitivo, especialmente se não dedicarmos tempo suficiente para criar assuntos e itens personalizados para as personagens interagirem e discutirem;
- Não tem qualquer tipo de mecanismos de partilha salvo a partilha de Mii em rede local!
Nota: 8/10
Análise efetuada com um código Nintendo Switch cedido gentilmente pela distribuidora.