Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Análise

Há cerca de 20 anos foi lançada uma franquia de videojogos que iria marcadamente definir uma das narrativas mais sérias, mas ao mesmo tempo mais curiosas da história dos videojogos.

Ryu ga gotoku (Como um dragão) ou Yakuza no ocidente até 2020 onde se passou a chamar aptamente Like a Dragon, conta a história de Kazuma Kiryu (Kiryu Kazuma na versão original). Kiryu é um yakuza com um coração de ouro, que se vê repetidamente envolvido em tramas do submundo japonês (e não só), fazendo de tudo para proteger os seus amigos e família.

Por vezes determinado ser “demasiado japonês” para as audiências ocidentais, o que fez quase com que deixasse de ser lançado na Europa e nos Estados Unidos (resultando, ainda assim, em atrasos significativos), a franquia é atualmente uma das mais adoradas da SEGA, contando já com nove títulos principais, sete titulos de spinoff, uma série televisiva e uma série online.

Desde o ano de 2016, o estúdio com título da franquia – Ryu ga gotoku studio – tem vindo a lançar remakes dos títulos mais antigos da mesma sob o título Kiwami (Extremo), contando as histórias mais antigas, mas com as mecânicas mais recentes de jogabilidade (e por vezes com novas habilidades e coisas que o jogador pode fazer).

Yakuza Kiwami 3 é o título mais recente desta série de relançamentos, recontando a quarta história da franquia (se contarmos com o brilhante Yakuza 0). Quando sobe o pano, Kiryu acabou de derrotar o Dragão de Osaka Gojo Ryudo, sofre com a morte do seu amigo Terada, o anterior líder do Clâ Omi, e coloca Dojima Daigo (filho do anterior patriarca da família Dojima) no assento de líder do Clã Tojo. Fechando a porta à sua anterior vida como Yakuza, Kiryu parte com Haruka, a sua filha adotiva, para Okinawa onde pretende abrir um orfanato, muito ao estilo daquilo que o seu pai adotivo, Kazama Shintaro, fez quando era mais jovem. Todavia, Kiryu rapidamente se vê envolvido numa trama envolvendo o poder político japonês, especulação imobiliária e bases militares.

O terceiro título da aventura de Kiryu toma lugar na ilha solarenga de Okinawa.

Mas basta de falar da narrativa, vamos falar naquilo que Yakuza Kiwami 3 é mesmo muito bom. Partir as cabeças dos adversários! Longe estão os dias em que os inimigos bloqueavam tudo o que a personagem principal fazia, pois, o sistema de combate de Yakuza 3 é uma evolução natural do sistema de combate de Like a Dragon: Gaiden (que já era uma evolução do sistema de combate de Lost Judgement). Com dois estilos de combate diferentes – o Dragão de Dojima e um estilo novo Ryukyu com armas tradicionais de Okinawa – o jogador consegue adaptar Kiryu às exigências dos combates. Como Yakuza Kiwami 3 é um RPG de ação (ao invés dos sétimo e oitavo títulos da franquia), as ações EX (surto de cólera em português) e outros variados ataques podem ser adquiridas num menu próprio e pagas com ienes ou pontos específicos que o jogador acumula através dos combates e missões.

Falando em missões, Yakuza Kiwami 3 está recheado de novo conteúdo que o jogo original não tinha. Falamos desde já de várias sidequests ligadas à função de Kiryu como cuidador das crianças que vivem no orfanato. Tudo, desde ajudar nos trabalhos de casa, coser roupa, cozinhar, apanhar insetos, plantar e colher vegetais, alimentar uma vaquinha adorável assim como as galinhas e colher o leite e os ovos. Kiryu é responsável pelo orfanato e tem de cuidar dos mais pequenos. Também pode ajudar os vizinhos com materiais e alimentos e por sua vez, ser ajudado por aqueles. Esta novidade de Yakuza Kiwami 3 retira Kiryu da narrativa tradicional do jogo e envolve-o na sua vida de cuidador de um orfanato. Outra das novidades é a história do gangue feminino, em que Kiryu se torna capitão de um gangue de motoqueiras, ajudando-as a defender o seu território de um gangue de Tóquio que quer conquistar todo o japão. É importante saber gerir todos os elementos desta equipa feminina de delinquentes para nos certificarmos que quando as batalhas começam, sairemos vitoriosas!

Uma das grandes novidades é a gestão de um gang de jovens raparigas que gostam de andar de mota. Tudo muito fora do comum!

Embora tenha menos sidestories que o original, o conjunto de coisas secundárias com que nos podemos distrair em Yakuza Kiwami 3 é verdadeiramente impressionante, fluindo muito bem na narrativa.

Esta narrativa (sem quer spoilar ninguém) sofre algumas alterações que alteram a narrativa geral da franquia. Não somos verdadeiramente contra isto, dado que os autores têm autonomia narrativa sobre a história, mas também porque preferimos que o façam desta forma, em vez de fazerem com que personagens que morreram voltem à vida do nada. E sim, estamos a olhar para vocês os três: Kashiwagi, Lau Ka Long e Richarson!

Por acaso, Yoshitaka Mine (o vilão de Yakuza 3 e, naturalmente Kiwami 3), tem a sua própria side story, aptamente denominada de Dark Ties, que explica o seu percurso descendente de homem de negócios até líder de uma família Yakuza. Infelizmente, embora tenha sido publicitada como um jogo completamente autónomo, Dark Ties é apenas uma curta experiência, muito ao estilo de Gaiden, dado que apenas possui três capítulos e dois bosses. É exatamente por isso que, embora extremamente interessante, Dark Times peca por ser demasiado curto, podendo ter sido alvo de um tratamento que lhe desenvolvesse um pouco mais a narrativa. Ainda assim, tem bastante coisas a fazer no mapa (exatamente ao estilo de Gaiden) além de ter um modo roguelike (tal como Like a Dragon Infinite Wealth) muito interessante e desafiador.

Dark Ties conta a história de Yoshitaka Mine e apresenta-nos uma aventura completamente diferente.

Graficamente, tanto Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties utilizam a versão mais recente da Dragon Engine (criada para Yakuza 6), o que no caso de Kiwami 3 dão um sopro de vida nos cenários de Okinawa até ao momento nunca vistos. Isto é claramente notável não apenas no orfanato, mas também na baixa de Ryukyu.

Opinião Final:

Yakuza Kiwami 3 é a atualização que precisavamos do terceiro título clássico da franquia Like a Dragon. Não faz tudo de forma perfeita, mas torna-se a versão a jogar para quem quer conhecer a saga de Kiryu Kazuma. Já Dark Ties é uma experiência agradável, embora curta, sobre a ascensão de Yoshitaka Mine, um dos vilões mais interessantes da saga. Para quem gosta da franquia, o jogo é altamente recomendado.

Do que gostamos:

  • A história de Yakuza 3, atualizada para esta geração;
  • A gestão do orfanato e dos afazeres dos seus habitantes é simplesmente brilhante;
  • O combate é vastamente superior ao original;
  • Dark Ties incluído com o remake, é uma boa oferta.

Do que não gostamos:

  • Menos sidequests que o original;
  • Dark Ties é demasiado curto.

Nota: 9/10

Análise efetuada com um código PC cedido gentilmente pela distribuidora.


Tags: ,