Bose QuietComfort Gen 2 – Análise

De cara lavada e com algumas novidades, os Bose QuietComfort voltam ao mercado com a Geração 2.

Lançados em Agosto de 2026, os reconhecidos e populares headphones da Bose trazem uma oferta refrescada, sem sair dos seus fortes: conforto e cancelamento de ruído. De novo, a Bose traz um design mais moderno, som espacial, e, crucialmente, ligação USB-C para áudio sem perdas nem latência. Esta última novidade é principalmente importante para nós, uma vez que os tornam num dispositivo capaz para gaming, e muito versátil.

Mas voltando ao início, as primeiras impressões. Um design reconhecível, mas mais elegante. Os auscultadores tornam um formato mais oval, que se adapta bem, e o exterior está mais limpo, com os botões físicos ao redor. O interior azul com a indicação dos lados dá alguma vida e funcionalidade, sem comprometer.

Na caixa, temos uma caixa de transporte, um cabo USB-C para USB-C e um cabo USB-C para jack de áudio 3.5mm, para além dos phones. Ao toque, o plástico é agradável e os headphones são bastante leves. A sensação de qualidade é boa e não parecem ser sensíveis, mas com phones já se sabe que os plásticos têm tendência a degradar – sendo por isso importante saber à partida que as almofadas são substituíveis.

O setup por Bluetooth é tão simples quanto seria de esperar num aparelho moderno com Bluetooth 5.4. Ligar ao telemóvel e PC é muito fácil, e gostei principalmente da facilidade e rapidez de troca entre os 2 dispositivos. Pela negativa, não há suporte para LDAC, o que pode deixar os utilizadores mais exigentes desapontados. A verdade é que estes não são phones para audiófilos, ainda que muito agradáveis, têm uma gama dinâmica e volume limitados, não sendo a pureza e referência os seus pontos fortes, nem é por aí que os vamos julgar.

Não obstante, a adição de áudio por USB colmata em parte a falta de LDAC, dado que permite áudio sem compressão nem latência, até 24-bit/48kHz. Para jogar, é a diferença entre serem ou não viáveis, principalmente pela latência e opções de conectividade. Ligar a um PC é simples, mas o cabo de áudio 3.5mm dá-nos ainda a possibilidade de usá-los nas consolas. Raios, se quiserem podem ligá-los a um velho leitor de CDs, e isso não é dado adquirido nos dias que correm.

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Ligar ao DualSense da PlayStation 5, por exemplo, funciona perfeitamente. Com o seu conforto e fantástico modo de transparência, dei por mim a priorizá-los face a outras alternativas para jogar. E é no conforto e funcionalidades chave como ANC e transparência que os Bose QC Gen 2 conquistam mesmo, e a fama dos originais não é ao acaso.

Focando então na oferta base: conforto e cancelamento de ruído. No que toca ao conforto, confesso que numa impressão inicial os achei um pouco apertados. Ao longo do uso, no entanto, fui dando por mim a habituar-me e a não me sentir desconfortável mesmo após várias horas de uso. Podiam ser menos tensos e preferia almofadas um pouco mais altas, mas a verdade é que mal se sentem na cabeça. A contribuir para essa sensação está principalmente o peso deles e o conforto das almofadas, mas também a banda e o seu ajuste deslizante.

No que toca a cancelamento de ruído, os 6 microfones trabalham muito bem para criar um ambiente agradável. Num escritório, na rua ou em transportes públicos, conseguimos ficar no nosso mundo. Não é um cancelamento total, mas trata dos ruídos mais intensos e torna o áudio que estamos a ouvir muito mais percetível. Para mim, a grande surpresa foi mesmo o modo de transparência, que é o melhor que já usei. Normalmente estes modos pecam por metalizar o som exterior ou deixar entrar demasiado ruído, mas os Bose QC Gen 2 fazem um trabalho impressionante, semelhante a usar uns phones open-back: som muito natural e nítido, mantendo o áudio que estamos a ouvir muito claro.

A nível de autonomia, dependendo dos modos, podemos contar entre 18 a 24h de som, com carregamentos relativamente rápidos (15 mins para 2.5h, 3h para 100%). Para chamadas, achei-os muito competentes, seja telefone ou chamadas Teams/Zoom. Nunca tive problemas de sincronização e o áudio foi claro.

Uma nota final para a aplicação Bose como centro de controlo, e as funcionalidades de software a que podemos aceder. Para além do controlo do modo de cancelamento de ruído (que também podemos rodar num botão físico), a app permite personalizar o nível de cancelamento com modos custom a explorar, com opções como o bloqueio do vento. Temos também um equalizador relativamente simples, onde podemos ajustar o perfil de áudio a gosto. A opção de áudio imersivo é interessante, permitindo alternar entre estéreo normal, fixo – com a sensação de colunas à nossa frente, e “motion”, que acompanha os movimentos da cabeça para manter o som à nossa frente. Temos ainda o modo cinema, que tenta separar as vozes dos restantes efeitos.

A um preço de venda recomendado de 399€ (ainda que já possam ser encontrados abaixo disso no mercado Português), são uns phones sem medo de afirmar o que são. Para nós, e face à primeira geração, parecem uma proposta mais aliciante pela sua versatilidade. Neste valor, gostávamos de ver LDAC e um som mais robusto, mas não deixam de ser extremamente competentes naquilo em que se focam.

 

Opinião Final:

Os Bose QuietComfort Gen 2 são excelentes para uso prolongado, em viagem e em trabalho. Para além disso, oferecem a versatilidade de ligação por cabo, tornando-os viáveis para gaming. Podem não ser os melhores, mas muitas vezes a conveniência fala mais alto.

Do que gostamos:

  • Design e praticidade;
  • ANC e fantástico modo transparente;
  • Áudio por USB.

Do que não gostamos:

  • Qualidade de som podia ser melhor;
  • Falta de LDAC.

Nota: 8,5/10

Análise efetuada com uns Bose QuietComfort Gen 2 cedido gentilmente pela marca para teste.


Os Bose QuietComfort Gen 2 já estão disponíveis nas lojas habituais pelo PVP recomendado de 399€.