Spider-Man: Miles Morales (PC) – Análise

Marvel’s Spider-Man foi um dos melhores jogos de super-heróis de todos os tempos. Introduziu um Manhattan de mundo aberto bastante preciso, teve uma jogabilidade inovadora, e sentiu-se como uma verdadeira carta de amor para a franquia do Homem-Aranha. Foi um jogo que nos permitiu realmente conhecer o Peter como um nerd, um cientista, um romântico e, claro, um super-herói de todo o coração. Faltava apenas um fio solto no jogo original – o que vai acontecer com o protegido do Peter? A resposta foi Spider-Man: Miles Morales.

Desenvolvido pela Insomniac Games e publicado pela Sony Interactive Entertainment, Spider-Man: Miles Morales foi lançado a 12 de novembro como um exclusivo Playstation 5, e é agora a vez dos jogadores de PC terem a oportunidade de balançar pela cidade de nova-iorque como Miles Morales. É uma sequela do aclamado Homem-Aranha da Marvel, port lançado também para PC há poucos meses. Apresentando um dos mais proeminentes super-heróis alguma vez criados e ostentando uma jogabilidade espantosa à qual a Insomniac já nos tem habituado, Miles Morales faz o que esperamos, com algumas melhorias gráficas. Podem ler ou reler a nossa Análise ao jogo na versão PlayStation 5, aqui.

O enredo de Spider-Man: Miles Morales começa com Peter a mostrar a Miles os básicos de ser o Homem-Aranha, um ano após os principais eventos do jogo anterior. Mas pouco depois de um encontro com o Rhino e da introdução da Roxxon Energy Corporation, Peter partilha com Miles que tem de ir numa missão internacional para a Symkaria com Mary Jane. Deixando assim o seu protegido encarregue de proteger Nova Iorque enquanto ele está fora.

A aventura a solo de Miles começa em Harlem, onde Miles e a sua mãe se mudaram para a antiga casa da sua Abuela. Roxxon Power, a corporação de torres baseada na área mais pobre da cidade de Miles, está a promover um novo tipo de reactor de energia Nuform. Uma energia que supostamente é completamente pura. Como resultado, os The Underground – um bando de jovens gangsters desprotegidos que procuram ser os novos alfas da cidade agora que o Kingpin, Demon, e Maggia deixaram um vazio de poder – procuram destruir a corporação Roxxon. Estão todos armados com fatos de treino programáveis fornecidos pelo seu misterioso líder, o Tinkerer.

E esse é o enredo principal, pois Miles tem de descobrir como parar os The Underground enquanto investiga o que está errado com a corporação Roxxon. Embora eu pessoalmente não fosse por vezes o maior fã do enredo deste jogo, admito que gostei da sua construção do mundo, uma vez que se liga realmente ao jogo original, oferecendo uma ligação quase que indistinguível, e ao mesmo tempo única, na exeperiência de jogo.

No que toca a características específicas da versão PC, o nível de grafismo não está muito além daquele que podes encontrar numa PS5. A performance na versão que estou a testar não é incrível, como é habitual nas versões pré-lançamento da Insomniac, mas estou confiante que muito disto será limado com atualizações, que por norma não demoram muito a serem lançadas.

Se tiveres uma máquina capaz de uma maior fluídez de frames por segundo, o que te aguarda é certamente uma experiência prazerosa, quanto mais não seja apenas e só pela forma como te moves no jogo. Os tempos de loading também são rápidos, algo que já estava presente na versão PS5, e o ray-tracing também é uma experiência apetecível aos olhos, mas honestamente não a consideraria como crucial de forma alguma.

O Miles funciona de forma diferente do Peter em alguns aspectos. A sua árvore de habilidades está dividida em três categorias. Habilidades de combate base, que atualiza as cargas de finalizador e as capacidades de acumulação de venom; habilidades de venom, que desbloqueiam diferentes ataques bioelétricos que causam grandes danos; finalmente, habilidades de furtividade, em que o Miles consegue utilizar as suas habilidades de camuflagem permitindo-lhe reentrar no modo furtivo durante uma batalha, expandindo-se numa camada inteira de combate que faltava no original.

Tal como o original, uma boa parte do design do jogo é gasta em fatos de Aranha, todos incrivelmente detalhados. Cada um dos fatos apresenta mods atualizáveis que podes adicionar para aproveitar diferentes habilidades especializadas, tornando o Homem-Aranha um pouco mais personalizável, podendo ser ajustado dependendo das tuas necessidades no momento. Cada mod e fato desbloqueado requer fichas de atividade e peças de tecnologia, que podes obter através de missões e roubando caches de tecnologia do subsolo.

Surpreendentemente, a interface também é estranhamente melhor do que a original. Podes usar o touchpad para percorrer as missões próximas usando a aplicação Friendly Neighborhood, que te permite seguir as atividades e crimes disponíveis. Provavelmente a melhor atualização de missões é que podes seguir e refazer missões de crime para alcançares uma melhor classificação. Esta é uma enorme melhoria em relação ao último jogo, pois antes precisavas de esperar que a missão certa aparecesse completamente ao acaso.

De certo modo, a jogabilidade em si funciona de forma um pouco diferente, uma vez que o estilo de jogo de Miles é diferente do de Peter, o que é incrível de se ver. Para ser honesto, Miles parece-se como um adolescente embaraçoso, embora com habilidades venenosas super poderosas, que são ataques eletrificados que se acumulam e libertam para causar danos duros. Também tornam os inimigos vulneráveis a golpes seguintes, por isso a maioria das batalhas de combate e bosses devem ser focadas no empilhamento de venom. Como mencionado, Miles também pode tornar-se invisível, o que lhe permite entrar e sair do combate furtivo muito mais facilmente do que o original, fazendo com que as fugas sejam rápidas ou silenciosas. E apesar de Miles não ter muitos dos fantásticos “web-gadgets” de Peter, ele tem uma série de “showboating aerial flips”. O estilo inerente à sua personalidade e carácter irreverente é notório e é uma mudança bastante bem-vinda.

A maior parte das missões seguem o mesmo caminho do jogo original, na medida em que são missões ou “desafios de Homem-Aranha” deixados por Peter para que Miles termine o seu treino. Infelizmente, tanto os bosses como as fights de bosses neste jogo são hit-or-miss. Ora podem ser bastante incríveis do ponto de vista de jogabilidade e cinematográfico, como podem deixar um pouco aquém, apesar de não ser regra geral.

O que mais me desagradava em Miles era o facto de os pedidos (que podes acessar através da aplicação) serem por vezes inúteis. O puzzle de alinhamento do comboio inicial parece uma completa perda de tempo, nem servindo muito bem para explicar as mecânicas do jogo. Os atiradores neste jogo também são ridiculamente fortes, e por vezes impossíveis de esquivar em dificuldades mais elevadas.

Opinião final:

Desde as suas melhorias técnicas ao seu enredo que tem tão de divertido quanto de detalhado, Spider-Man: Miles Morales aproveita algumas das melhores capacidades que um PC consegue oferecer. Uma curta mas divertida sequela do original e inovador Homem-Aranha para a PS4, que se revela como um curto mas digno sucessor.

Do que gostamos:

  • Inovação nas animações;
  • Diferença de jogabilidade significativa devido à juventude de Miles;
  • Nova-Iorque alterada de acordo com o setting natalício, com todos os detalhes incluídos.

Do que não gostamos:

  • Campanha curta;
  • Pouca diferença face à prestação do título na PS5.

Nota: 8/10

Análise efetuada com um código PC cedido gentilmente pela distribuidora.