Redmi Note 17 Pro Max – Análise

A gama média tornou-se o território mais disputado do mercado dos telemóveis, e a Xiaomi sabe que o Redmi Note 17 Pro Max 5G precisa de uma assinatura que o distinga de dezenas de rivais com ecrãs AMOLED e câmaras de 50 MP. A resposta chegou sob a forma de uma bateria desproporcionada, construída em silício-carbono, e de uma lista de certificações de resistência que nem alguns topos de gama conseguem exibir. O dispositivo é, antes de tudo, uma declaração de prioridades: autonomia e robustez primeiro, desempenho e requinte depois. A questão que atravessa toda a experiência de utilização é se o resto do conjunto acompanha essa ambição ou se fica a servir de acompanhamento a um número impressionante.

É por essa bateria que convém começar, porque é ela que dita o carácter do equipamento. Na versão europeia, a célula de dupla camada em silício-carbono tem 9.210 mAh, ligeiramente abaixo dos 10.000 mAh vendidos noutros mercados, uma diferença que convém sublinhar a quem lê análises provenientes da Ásia. O carregamento com fio atinge os 100 W, e há ainda 27 W de carregamento inverso, o que permite usar o aparelho como uma bateria externa de emergência para outros dispositivos. Nos testes realizados com a variante de 10.000 mAh, o telemóvel completou mais de 27 horas de utilização no PCMark Work 3.1 e demorou cerca de 1 hora e 36 minutos a carregar totalmente, números que, mesmo com a quebra de capacidade na Europa, apontam para dois dias de utilização confortável e, com moderação, para três. A autonomia deixa de ser uma preocupação quotidiana, o que, para muitos compradores, vale mais do que qualquer ganho de desempenho. Falta, em compensação, o carregamento sem fios, uma omissão esperada neste escalão mas que não deixa de ser notada.

Uma autonomia destas só tem verdadeiro valor se o sistema operativo a souber gerir, e é aí que a experiência revela as suas maiores arestas. O HyperOS 3, assente no Android 16, é rico em personalização, sobretudo no ecrã de bloqueio, e a maior parte do bloatware pode ser removida, mas a fluidez nem sempre acompanha a ambição. Registam-se pequenos engasgos na abertura da gaveta de aplicações e na passagem para o painel Google Discover, e outras análises internacionais descrevem uma interface por vezes lenta, o que não é aceitável num equipamento que anuncia 120 Hz. Em contrapartida, o compromisso de atualizações é um argumento forte: a Xiaomi promete quatro grandes atualizações de sistema e seis anos de patches de segurança, ainda que a página da loja portuguesa fale genericamente em seis anos de atualizações, uma ambiguidade que a marca deveria esclarecer. As funcionalidades de inteligência artificial, com Google Gemini, Circle to Search e as ferramentas Hyper AI, estão presentes e funcionam, embora a utilidade prática de muitas delas permaneça discutível. Não foram identificadas, nas fontes consultadas, atualizações de firmware recentes com impacto assinalável nem problemas de hardware sistemáticos.

Parte dessa irregularidade do software explica-se pelo processador, que é o elo mais fraco da corrente. O Snapdragon 6 Gen 5, fabricado em 4 nanómetros, combina quatro núcleos Cortex-A78 a 2,6 GHz com quatro núcleos Cortex-A55 a 2,0 GHz, acompanhados por 8 GB de memória LPDDR5X e por 256 GB ou 512 GB de armazenamento rápido. Num telemóvel que custa entre 430 e 650 euros, consoante a loja e a campanha, a arquitetura dos núcleos é claramente conservadora, e os resultados sintéticos confirmam-no. Em testes independentes, o equipamento ronda os 996.000 pontos no AnTuTu e cerca de 960 em monocore e 3.002 em multicore no Geekbench, números que ficam aquém dos de rivais com chips da gama Dimensity 8000 ou Snapdragon 7 do mesmo escalão de preço. Na prática, a navegação, as redes sociais e a multimédia decorrem sem problemas, e jogos exigentes como o Call of Duty Mobile atingem os 120 fps, embora outros títulos fiquem limitados a taxas inferiores. A gestão térmica é um ponto positivo, uma vez que o dispositivo mantém cerca de 76 por cento do desempenho máximo em testes de estrangulamento prolongados. A sensação geral é a de um conjunto equilibrado em vez de entusiasmante, e quem pretenda manter o telemóvel durante vários anos perguntará, com razão, se o processador envelhece tão bem como a bateria.

REDMI Note 17 Pro Max 5G Specs, Features | Xiaomi Australia

Quem compensa parte dessa contenção é o ecrã, um dos argumentos mais sólidos do conjunto. O painel AMOLED de 6,83 polegadas, com resolução de 1.280 x 2.772 píxeis e cerca de 447 píxeis por polegada, chega aos 120 Hz e a um brilho máximo de 3.500 nits, com suporte para Dolby Vision e HDR10+. Os negros profundos e as cores intensas são a marca registada desta tecnologia, e a utilização em ambientes exteriores, com luz solar forte, revela uma legibilidade acima da média para a categoria. A taxa de amostragem de toque de 3.200 Hz, anunciada pela marca, traduz-se numa resposta imediata nos jogos. Faltam, porém, pormenores que a diferença de preço para modelos mais caros torna evidente, como uma calibração de cor mais rigorosa de fábrica, e os modos de saturação automática podem tornar as imagens ligeiramente artificiais. As molduras são finas e uniformes, e a superfície generosa beneficia o consumo de vídeo e a leitura de longos textos.

Esse tamanho, que tanto agrada à visualização de conteúdos, tem um preço na mão. O equipamento mede 163,4 x 78,3 x 8,6 mm e pesa 225 gramas, valores que o colocam claramente no território dos telemóveis grandes, e a utilização com uma só mão torna-se desconfortável, com os cantos superiores do ecrã a ficarem fora do alcance natural do polegar. Há, no entanto, um mérito inegável: com uma bateria desta dimensão, esperar-se-ia um objeto bem mais espesso, e a Xiaomi conseguiu disfarçar a massa com uma silhueta que não destoa de outros modelos da categoria. O aspeto menos lisonjeiro é o material. A traseira e as laterais são em plástico, uma escolha previsível a este preço, mas que se torna difícil de perdoar quando o modelo de 512 GB chega aos 649,99 euros de tabela. O acabamento é competente e não há folgas ou rangidos dignos de nota, mas falta a frieza do metal e do vidro que reforça a perceção de valor. Em contrapartida, a proteção da frente por Gorilla Glass Victus 2 e as certificações IP68 e IP69K, que contemplam imersão e jatos de água quentes e de alta pressão, colocam este modelo à frente de grande parte da concorrência em robustez efetiva.

REDMI Note 17 Pro Max 5G | Xiaomi Australia | All Specs, Features

A fotografia segue a mesma lógica de contenção que se sente no resto do aparelho. O conjunto traseiro resume-se a um sensor principal de 50 MP com abertura f/1,5 e estabilização ótica, e a uma ultra grande angular de 8 MP, enquanto a câmara frontal tem 32 MP. A ausência de uma teleobjetiva dedicada é a omissão mais óbvia, e o zoom, obtido por recorte digital, perde rapidamente qualidade. Em boas condições de luz, a câmara principal produz imagens detalhadas, com contraste forte e cores vivas, e a estabilização ótica ajuda a manter a nitidez quando a iluminação é mais difícil. A ultra grande angular fica claramente aquém, com perda de detalhe nos cantos e uma gama dinâmica inferior. Em vídeo, o limite situa-se nos 4K a 30 fps, o que não surpreende neste patamar, mas fica atrás de alguns concorrentes que já oferecem 60 fps. Para fotografias do dia a dia e para partilha em redes sociais, o conjunto cumpre com distinção; para quem tem expectativas mais altas, o preço pede mais.

A conectividade completa o pacote com Wi-Fi 6, Bluetooth 6.0, NFC, suporte para eSIM e Dual SIM, altifalantes estéreo e leitor de impressões digitais sob o ecrã. Resta o preço, onde a análise tem de ser mais cuidadosa, porque o valor pago varia muito consoante o momento. O preço recomendado ronda os 599,99 euros no operador MEO para a versão de 256 GB e os 649,99 euros para a de 512 GB, mas as promoções mudam tudo: a Fnac e a Worten anunciam 552,49 euros para a versão de 512 GB, e a PCDiga e a Globaldata praticam valores perto dos 430 a 440 euros para a de 256 GB. A estes valores, o dispositivo é uma proposta muito forte; ao preço de tabela, a concorrência com mais desempenho e melhores materiais torna a decisão bem mais complicada. Convém, por isso, nunca comprar este telemóvel sem verificar primeiro as campanhas em curso.

Opinião Final:

O Redmi Note 17 Pro Max 5G é um telemóvel de gama média com uma identidade clara: autonomia de vários dias, carregamento a 100 W, certificação IP69K e um ecrã AMOLED excelente, a que se junta um excelente compromisso de atualizações. Paga esses méritos com um processador pouco ambicioso, uma construção em plástico e um software que nem sempre é fluido. A cerca de 430 euros é uma compra inteligente e fácil de recomendar; ao preço de tabela, perde força perante rivais mais equilibrados.

Do que gostamos:

  • Bateria de 9.210 mAh que garante vários dias de autonomia;
  • Carregamento de 100 W e carregamento inverso de 27 W;
  • Ecrã AMOLED de 6,83 polegadas a 120 Hz e 3.500 nits;
  • Certificações IP68 e IP69K com Gorilla Glass Victus 2;
  • Promessa de 4 anos de atualizações Android e 6 de segurança;
  • Preço de rua muito competitivo em promoção.

Do que não gostamos:

  • Snapdragon 6 Gen 5 pouco ambicioso para o preço pedido;
  • Traseira e laterais em plástico, com 225 gramas de peso;
  • HyperOS com engasgos ocasionais e bloatware de origem;
  • Sem teleobjetiva, sem carregamento sem fios e vídeo limitado a 4K a 30 fps;
  • Preço de tabela de 649,99 euros difícil de justificar.

Nota: 7,5/10

Análise efetuada com um Redmi Note 17 Pro Max 5G cedido gentilmente pela Xiaomi para teste.