
Até ao momento, o ano de 2026 da Nintendo tem-se focado em trazer de volta séries da Big N que estavam há muito adormecidas, tais como Star Fox (que pude recentemente jogar e analisar) ou Tomodachi Life (analisado pelo meu colega Eduardo Oliveira e Sousa), ambas franquias que não viam um novo jogo desde os meados da década passada.
Agora, chegou a vez de outra das séries “periféricas” da Nintendo ter o seu devido espaço: Rhythm Paradise (conhecida nas Américas como Rhythm Heaven), com o recente lançamento de Rhythm Paradise Groove para a Nintendo Switch. Em semelhança a WarioWare, aqui encontramos uma série de mini-jogos que nos divertem bastante, mesmo que tenhamos apenas 5 minutos para jogar. Aqui, no entanto, não encontramos, personagens associadas a Wario, e igualmente o foco deste título não é propriamente lutar contra o relógio. Em vez disso, somos confrontados com uma série de desafios rítmicos em situações únicas e bastante criativas. Passo a dar dois exemplos, que me ficaram bastante presentes após jogar Rhythm Paradise Groove. Num deles, devemos testar um jogo simples de uma designer de videojogos em que devemos saltar ou passar por baixo de barreiras de acordo com o ritmo da música, mas em que nos esperam também algumas surpresas. Noutro, devemos coordenar os movimentos de uma mulher que prepara uma salada, pegando em ingredientes que lhe são atirados pelo ar com diferentes velocidades.

Rhythm Paradise Groove é, como os restantes títulos Rhythm Heaven, bastante contido nas suas ambições, contentando-se com uma apresentação mais simplista e com conteúdo que diverte, mas não tenta alcançar as dimensões de um Mario ou um The Legend of Zelda. Esta simplicidade é ao mesmo tempo o que torna esta série tão boa e única, e o que a torna talvez numa franquia de nicho. Passo a explicar. Embora a sua arte e design simplistas sejam bastante apelativos, o jogo não faz muito para chamar a atenção, o que se pode ver logo desde o menu principal, que é porventura demasiado “cru”. Apesar de compreendermos que aqui reside muito do charme de Rhythm Paradise Groove, em alguns momentos esta experiência passa a ideia de que teve um orçamento bastante apertado, especialmente no que toca à interface do utilizador.
Embora seja uma experiência bastante simples e focada, enganem-se se pensam que Rhythm Paradise consiste apenas numa coletânea de mini-jogos rítmicos, especialmente nesta sua nova iteração para a Nintendo Switch. Embora contenha bastantes mini-jogos (mais de 80 se contarmos todos os que podem ser jogados a solo ou com amigos), Rhythm Paradise Groove traz consigo ainda um pequeno modo em que podemos ir encontrando as personagens que vamos conhecendo ao longo dos mini-jogos num café, assim como um modo totalmente novo que nos parece inspirado no pequeno RPG que vinha incluído com o StreetPass na Nintendo 3DS. Estes modos não são muito mais do que pequenos extras ao cerne da experiência, que está presente nos mini-jogos que vamos explorando. Ainda assim, valem uma vista de olhos e ajudam a “compôr o ramalhete”, neste que é um jogo que vale bastante a pena os 39.99 euros pedidos pela Nintendo.

A minha maior critica a Rhythm Paradise Groove, e que no final não importa assim tanto, consiste no facto de que a progressão pelos vários mini-jogos é estritamente linear. Isto é, precisam de ser suficientemente competentes com o mais recente mini-jogo para desbloquear aquele que se segue. Tal pode provocar alguma frustração caso não gostem particularmente ou não estejam a dar com o ritmo de um certo mini-jogo. Gostávamos de ter visto uma maior liberdade na escolha destes desafios.
Ainda assim, mesmo que nos tenhamos frustrado um pouco com uma certa lua engripada, não podemos negar que passamos a maior parte do nosso tempo com Rhythm Paradise Groove com um sorriso escancarado na nossa cara. Em especial, devo notar que após cada conjunto de 4 mini-jogos, somos presenteados com um remix dos mesmos, em que devemos combinar os ritmos desses desafios numa única música, muitas vezes vocalizada, aumentando ainda mais a animação.
Opinião Final:
Num ano em que a Nintendo tem apostado sobretudo nas suas séries há algum tempo esquecidas, Rhythm Paradise Groove encaixa que nem uma luva na vibe geral que a Big N tem explorado, e nesta sua estratégia. Sendo esta uma experiência mais modesta em termos de pura quantidade de conteúdo, está também disponível a um preço mais modesto e, se forem apreciadores de jogos de ritmo, valerá perfeitamente o vosso investimento em termos de tempo e dinheiro.
Do que gostamos:
- Jogabilidade base da serie continua a divertir;
- Muitos e muitos mini-jogos;
- Uma forma de passar um par de horas com amigos;
- Modos extra elevam a experiência.
Do que não gostamos:
- Interface do utilizador porventura demasiado simplista;
- Progressão estritamente linear entre os vários mini-jogos pode causar frustração.
Nota: 8/10
Análise efetuada com um código Nintendo Switch 2 cedido gentilmente pela distribuidora.